Os animais abandonados na Rua Velha seguem necessitando de apoio.

A pandemia de coronavírus trouxe não apenas um caos na saúde pública do mundo, mas sobretudo, agravou outros problemas que enfrentamos no cotidiano. Para aqueles cães e cadelas que já estavam abandonados, enfermos e a mercê da vulnerabilidade, a articulação para conseguir tratamento, adoções e melhores condições para eles também foi afetada. Desta forma gostaríamos de refletir como esta pandemia está não só vitimando algumas pessoas que contraí o vírus, como também há uma dimensão não notificada e não analisada são sobre as vítimas das consequências da sua propagação e dos protocolos de combate ao contágio.

Hospitais especializados em São Paulo estão interrompendo seus atendimentos, e apesar de faltar matéria na imprensa corporativa com dados concretos, não duvidamos que, no restante do Brasil, as dificuldades devem ser similares ou mesmo pior. Precisamos ficar atentes aos riscos que o isolamento trás na convivência forçada, casos de violência doméstica com mulheres e dissidentes sexuais e casos de abandono de bichos domesticados podem aumentar neste período, bem como causar mortes. Deste modo as opressões estruturais vão sendo oportunistas da realidade e cabe a nós estrategiar como combatê-las.

Em parceria com o comerciante José Lucas e o Movimento Liberdade Animal estamos tentando neste momento pelo menos alimentar os bichos e enviar emails para autoridades com objetivo de conseguir pressionar o poder público, mas o momento que os humanos estão assustados e isolados pelos impactos da Covid-19 fazem qualquer outra pauta parecer menos urgente.

No dia 03/03 o Movimento Liberdade Animal recebeu uma denuncia via WhatsApp sobre a situação em que se encontravam-se os animais, trazendo o momento em que foi quebrado o cadeado do imóvel, tornando-se publica a situação insalubre em que eles estavam: maltratados, magros e enfermos. No dia seguinte, o caso foi exibido pela TV Jornal trazendo a vereadora Goretti Queiroz e o comerciante José Lucas como entrevistados, na ocasião a vereadora conseguiu fazer o resgate de aproximadamente 10 cães e cadelas. No dia 07/03, o MLA inicia suas chamadas nas suas redes sociais buscando apoio e solidariedade. Apenas no dia 17/03 a Dhuzati visita o espaço e encontra cerca de 18 animais, numa situação deplorável que se agrava diariamente, neste momento somamos a Força Tarefa puxada pelo MLA, já que, embora alguns tenham sido resgatados, uma quantidade significativa ainda se encontrava naquele ambiente.

Achamos necessário divulgar o caso à nossa rede, para que pudéssemos conseguir cuidados veterinários, transporte, alimentação e medicamentos para o resgate dos bichos que estão, até hoje, no imóvel da Rua Velha. O caso é digno de uma mobilização coletiva por se tratar de muitos cães, em casos mais simples e individuais, atuamos sem publicidade dos nossos feitos pois nossa intenção não reverbera interesse em acumular status ou capital político, embora, quando necessário, articulamos através das redes sociais, adoções responsáveis. Vale salientar que tanto a Dhuzati quanto o Movimento Liberdade Animal vem atuando como iniciativas antiespecistas em Recife e atingem um público que confia e dão credibilidade ao nosso trabalho, além de cumprir a missão de propagar casos graves e urgentes como este, a distintas pessoas. Em tempos de fake news e posverdade, compreendemos possíveis desconfianças sobre o destino das doações. Nosso envolvimento com o caso e a disponibilidade das contas bancárias de nossas integrantes visam apenas ativar uma rede de solidariedade de cuidado animal e não beneficio pessoal.

Nossa estratégia era resgatar os cães em situação mais grave e agendar consultas veterinárias, para os restantes que ficariam no local, um mutirão para banho e higienização como medida de cuidado paliativa, enquanto pressionaríamos o poder público, acompanhando seus procedimentos e buscamos adoções responsáveis. Porém, a decretação de isolamento por conta da Covid-19, nos impediu de solicitar os serviços planejados. Desta forma resolvemos destinar os 250,00R$ dos 300,00R$ que arrecadamos, através das doações, com alimentação. Atualmente José Lucas e um integrante do Movimento Liberdade Animal se revezam diariamente para alimentar os cães e cadelas

Nosso pedido vai no sentido de impedir que os cães e cadelas se tornem vítimas indiretas do coronavírus, uma vez que já são vítimas do desprezo e abandono dos humanos. As doações continuam abertas e nos comprometemos a realizar a prestação de contas e compartilhar os recibos dos gastos com os bichos. Fazemos um chamado para veterinários solidários que se sensibilizem com o caso e possam colaborar em diminuir o sofrimento destes caẽs e cadelas, nossa arrecadação também visa os custos destes serviços e um apelo especial a comunidade vegana de Recife, que é composta de pessoas brancas, economicamente estáveis e privilegiadas, quando gritamos que o veganismo não é consumo é sobre reconhecer nosso privilégio enquanto espécie supremacista e praticar ações que promovem mudança na vida dos bichos. Sabemos o quanto este momento é difícil e que existem pessoas apoiando outras chamadas de solidariedade, mas queremos por estes bichos na quarentena, o ambiente é visivelmente insalubre para eles.

Para mais informações e para ajudar com doação de rações e cuidados veterinários podem contactar diretamente com José Lucas, (81) 98667-1765 ou as redes sociais da Dhuzati e Movimento Liberdade Animal

Caixa Econômica
Agência: 1030
Operação: 023
Conta poupança: 00002421-5
Titular: F. R. Alcantara

Banco do Brasil
Agência: 2365-5
Conta corrente: 72308-8
Titular: F. R. A. Alcantara

NuBank
Agência: 0001
Conta: 34505594-5
Titular: A. B. de Souza

Sobre o Coronavírus

Este é um momento de cuidado, atenção, cautela e responsabilidade, talvez o maior que a humanidade tenha passado nas últimas décadas, quiçá séculos. Quando focamos nesta perspectiva, evitamos o alarmismo, o pânico, a paranoia e os preconceitos para atuar de forma que não só ajude a nós mesmas e nossas famílias, como também a nossa comunidade. Estamos preocupadas com algumas destas comunidades, – população negra, indígena, periférica e em situação de rua, além dos enfermos e lgbts dessas categorias – a primeira mulher vítima do vírus foi uma empregada doméstica e a realidade do abastecimento de água e a cultura alimentar industrializada nas periferias brasileiras é preocupante. Infelizmente o cuidado com o corpo e com o ambiente também perpassa as condições estruturais de privilégio. Sai na frente quem tem esta premissa como hábito cotidiano, contudo, é sempre tempo de reavaliar e praticar novos hábitos, bem como dar visibilidade a práticas simples, caseiras e tradicionais que ajudam a manter nossa resistência física.

Por sua vez, os negacionistas da pandemia, reduzem os riscos que os mais vulneráveis estão a mercê e insistem em estimular e influenciar politicamente para que os homens brancos – governos e os patrões – mantenham a normalidade para continuar a exploração dos precarizados, que por sinal, não conseguem ser explorados se não estiverem em condições saudáveis, eis a cega contradição gananciosa do sistema? Não! Da mesma forma que os rios, os bichos e os biomas são descartáveis, os trabalhadores também o são e quando se tornarem escassos ou problemáticos, serão substituídos por outra tecnologia. Quando falamos sobre o número de mortes não falamos sobre estatísticas, mas sobre vidas, e estas não perdem seu valor ao serem comparadas com a população absoluta de um país ou uma região, porque estatísticas pouco importa nesta análise, mas sim a capacidade de propagação, letalidade e os riscos que os mais vulneráveis estão expostos, diante de um colapso do sistema de saúde. Precisamos reagir diante desta ameaça e exigir que a conta do isolamento seja paga pelas grandes fortunas, pela redistribuição dos patrimônios, pelas anistias das faturas e pelo lucro líquido milionário das grandes corporações, afinal esta oportunidade nós é única! Roberto Justos, Edir Macedo, Junior Durski e outros homens brancos, empresários e cisheterossexuais, que acreditam que as pessoas devem ter mais medo de perder o emprego do que com a saúde, devem ser coagidos para a redistribuição de suas riquezas, afinal a perspectiva que deve imperar é a da saúde pública e não da economia capitalista.

«A pandemia não vai passar nas próximas semanas. Mesmo se medidas rígidas de confinamento tiverem êxito em reduzir o número de infecções para os índices de um mês atrás, o vírus pode voltar a se disseminar exponencialmente assim que as medidas forem suspensas.»

Sobrevivendo ao Vírus: Um Guia Anarquista Capitalismo em Crise — Totalitarismo Crescente — Estratégias de Resistência

Os coronavírus são um grupo viral conhecido desde meados dos anos 1960. Muitas pessoas já se infectaram com os outros coronavírus ao longo da vida, eles são uma causa comum de infecções respiratórias brandas, moderadas de curta duração e algumas graves, podendo ser letal.

O causador da doença COVID-19 é o SARS-CoV-2, sétimo vírus identificado da família coronavírus, antes dele, surgiram MERS-CoV (síndrome respiratória do Oriente Médio), SARS-CoV (síndrome aguda respiratória severa), HCoV-229E, HCoV-OC43, HCoV-HKU1 e HCoV-NL63. Ainda sem conclusões definitivas, há uma hipótese significativamente apoiada na comunidade científica que associa os coronavírus à exploração animal, uma vez que há características similares em vírus presentes em morcegos, pangolins, cobras, camelos e bovinos. Nosso entendimento é que os coronavírus humanos evoluíram de outros animais, sobretudo a partir do consumo alimentar de animais silvestres. Esta contextualização é importante para desencorajar neste momento a associação da doença à teorias da conspiração tanto de esquerda, quanto de direita. Kristian Andersen, professor associado de imunologia e microbiologia do Scripps Research da Califórina – EUA, afirma que “ao comparar os dados disponíveis de sequenciamento de genoma das cadeias do vírus, podemos determinar com firmeza que o SARS-CoV-2 foi originado a partir de processos naturais”, ou seja, o cientista recomenda a rejeição da hipótese de que o vírus foi manipulado em laboratórios como estratégia de sabotagem econômica, que predominam tanto em setores do Governo Federal, quanto nas alas de uma esquerda sectária e alienada, embora reconhecemos que há uma manipulação ideológica para uso político da pandemia.

Mercado de animais silvestres em Wuhan, China. As autoridades chinesas acreditam que ele se originou em um mercado que vendia frutos do mar e carne de animais selvagens, incluindo morcegos e víboras.

A ativista Linga Acácio nos alerta para práticas SOROFÓBICAS, isto é, práticas preconceituosas e estigmatizadoras em relação a pessoas de condição sorológica positiva. Ao localizar o vírus como “uma instância não humana usada pelos humanos para expandir processos de extermínio” ela resgata a transmissão de agentes patógenos durante as invasões coloniais foram «usados como ferramenta bioterrorista que enfraqueceu as resistências de povos originários, facilitando a entrada dos invasores”, além do HIV que também foi utilizado para o aniquilamento e de corpos sexodissidentes e negres. Assim, ela problematiza, nestes tempos de ameaça fascista, como opera a ideologização dos vírus para perpetuar controles de caráter violento, seletivo, hierarquizante e esconder os privilégios de quem determina o modo ideológico de como serão realizadas as práticas para lidar com os vírus, bem como as narrativas dominantes que permitirão entendê-los. Linga fala em acolher o medo para que possamos tratá-lo em vez de repelir com a ansiedade e pavor característicos dos processos de pânico. É nesta pegada que acabamos entendendo esta doença e por isso compartilhamos algumas práticas de cuidado através da alimentação, que tem sido uma das formas preventivas eficazes contra o projeto genocida e ecocida desenvolvido pela supremacia branca.

A alimentação viva, nos trouxe como ensinamento que os alimentos crus têm potência regenerativa e suas propriedades são melhores absorvidas pelo nosso organismo do que os alimentos cozidos. Nessa pegada, sugerimos para melhor prevenção um foco maior de alimentos crus, na sua forma in natura, você pode inovar ralando ou processando no liquidificador. Importante lembrar que as sugestões daqui não atentam as condições específicas de pessoas com diabetes, pressão alta ou enfermas, não somos médicas, apenas, como pessoas que raramente adoecem e gozam do privilegio de não terem doença preexistente ou genética, estamos compartilhamos cuidados que temos com nossa saúde.

1) Coma muito alho, antibacteriano, antiviral e antifunginco, gengibre anti-inflamatório, além de raiz de cúrcuma ralada em saladas ou sucos. Você pode ralar um dente de alho, um pedaço de gengibre + uma raiz de cúrcuma, numa vinagrete, no guacamole, ou no arroz já cozido (é importante não estar quente). Você também pode defumar pimentões ou berinjelas ou quando fazer qualquer refogado, ralar um (ou mais) dente de alho pra finalizar a receita, é um ótimo acompanhamento para comer com pão, cuscuz, angu e etc.

2) Coma muitas frutas, acerola, manga, limão, laranja, abacaxi, maracujá, banana e mamão, são frutas comumente fáceis de encontrar para reciclar ou comprar nas mais distintas feiras e sacolões em todo território nacional. Se puder combine mais de uma fruta para fazer sucos, tome cerca de três vezes ao dia, em jejum são maravilhosos. o Suco de inhame também é um excelente potencializador do sistema imunológico, ideal tomar em jejum.

3) Saladas, você pode temperar tomate, cebola, cenoura, beterraba, com alho ou gengibre ralado + limão e sal, vinagretes também podem ter frutas como melão, abacaxi, carambola e maçã

4) Abuse das sopas, deixe para colocar temperos verdes como coentro, cebolinho e salsa, bem como alho e gengibre ralados depois da sopa pronta, pimenta do reino, usada no rapé, também vai bem. Você pode também deixar uma xícara de qualquer leguminosa de molho, passar no liquidificador com uma xícara e meia de água, uma cebola, alho e gengibre a vontade e adicionar na sopa para transformá-la em um saboroso creme de legumes.

5) Quiabo, essa riqueza africana tem potência fitoterápica impressionante, também pode usar e abusar. Água de quiabo é algo que vai ajudar teu sangue e teu sistema de defesa.

6) Você pode fazer tinturas de ervas frescas ou secas (mastruz, alfavaca, cidreira, poejo, tanssagem, funcho, erva doce, assa-peixe) maceradas por 15 dias em álcool 70 ou cachaça, o calculo de gotas é dividir seu peso pela quantidade de vezes que pretende tomar, se for duas vezes, você toma metade de manhã e metade a noite

Além destes cuidados como forma de tentar manter nosso trabalho nesta época de crise, em breve compartilharemos nossas opções com potência fitoterápica que venderemos nessa longa jornada de quarentena que temos pela frente. No mais sigamos em alerta, mas jamais em pânico. Axé!

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Movimento Liberdade Animal convoca para Força Tarefa antiespecista

O Movimento Lliberdade Animal faz um chamado para uma força tarefa em prol do resgate, apoio e adoção de cerca de 20 cães vivendo em situação de extrema vulnerabilidade sanitária numa casa abandonada localizada na Rua Velha, bairro da Boa Vista, região central de Recife.

Atualmente os animais estão sob os cuidados básicos de José Lucas, porém a rua em que fica a casa, está passando por pavimentação e o imóvel está em ruínas, sem telhado, o que deixa o ambiente extremamente quente sem proteção de sol ou chuva, o local está cheio de escombros, metralha e fezes, além de haver cães doentes e com feridas. O apelo que fazemos cabe sensibilizar toda a sociedade, tendo em vista que é um dever de todos reconhecer nosso privilegio enquanto espécie supremacista, e em especial neste caso, garantir condições minimamente dignas de vida para estes cães! A Dhuzati acredita que ações de resgate e adoção de animais em situação de rua serve como um apelo de sensibilização antiespecista e de denúncia contra práticas de abandono e violação das vidas dos bichos domesticados dentro das cidades. Mortes e acidentes por atropelamento, envenenamento, espancamento e enfermidades são comumente consequências secundárias do abandono. Tampouco existe local seguro para esta prática, sobretudo quando expostos a convivência forçada com outros animais, criando situação de stress e conflito principalmente por território e alimentação. O abandono é um tipo de violência que põe em risco não só as vidas das vítimas não humanas, como também tem ligação direta na propagação de zoonoses, sendo um ato contra a saúde pública.

Gostaríamos ainda de dialogar com a população sexodissidente ou LGBT uma vez que entendemos que esta comunidade convive estruturalmente com casos de abandono e exposição a doenças como consequências da rejeição, na tentativa de ilustrar como o especismo se cruza com o cisheterossexismo ou lgbtfobia. A renegação e a abdicação de contato com pessoas por conta de suas sexualidades e gêneros perpassa a desumanização ou animalização destas pessoas para justificar todas as violências que são lhe são proferidas.

Desta forma gostaríamos de pedir a todas as pessoas que considerem a adoção temporária ou definitiva destes bichos que estão em algo grau de vulnerabilidade e em risco grave. A Dhuzati e o Movimento Liberdade Animal se comprometem no apoio e acompanhamento das adoções, garantindo cuidados básicos para os enfermos e cuidados posteriores como castração, vermifugação e vacinação. Entendemos que a libertação animal depende sobretudo das práticas de cuidado e combate as opressões que materializamos e construímos hoje e não apenas no boicote de ingredientes. O consumo a nível individual e comunitário só não te faz cúmplice das violências que acontecem contra os não humanos, ele nunca impede o confinamento e o assassinato.

Doações financeiras para os cuidados básicos podem ser realizados para as seguintes contas:

Caixa Econômica
Agência: 1030
Operação: 023
Conta poupança: 00002421-5
Titular: F. R. A. da Silva.

Banco do Brasil
Agência: 2365-5
Conta corrente: 72308-8
Titular: F. R. A. da Silva

Nubank
Agência: 0001
Conta: 34505594-5
Titular: A. B. de Souza

O veganismo não é um clubinho de gente branca preocupada com o que vai consumir

É básico e elementar no ativismo político contemporâneo, reconhecemos que as filosofias políticas não são propriedades de ninguém. Na realidade a crise da democracia e dos sistemas de representação são exatamente por não darem conta da pluralidade existente.

Na contramão desta premissa, o portal Vista-se numa atitude desesperada, revelando incomodo com toda a criticidade contra uma concepção mercadológica de veganismo, faz algumas associações desonestas e torpes a fim de impor autoridade e se autointitular a verdade dentro do movimento. Nada de novo, assim como homens brancos se intitularam a verdade sobre o que é ser humano, desumanizando tudo que não é seu espelho, Fábio Chaves trás ONGs e celebridades internacionais brancas para defender a indústria alimentícia que, em busca de novos consumidores e através de estratégias alienação, lançam misturas químicas sintéticas processadas sem nada de origem animal, tendo a petulância de chamá-la de comida vegana. Qualquer semelhança com os donatários das capitanias, que faziam de tudo para não desagradar a coroa não é mera coincidência é colonialismo mesmo, só que aqui a metrópole é a Vegan Society.

A questão é, que isso não pode ser visto como avanço do veganismo e sim como sofisticação da indústria de exploração animal em absorver uma demanda que coloca em cheque o cerne de seu lucro. Estar no ativismo político e não se dá conta das estratégias do capitalismo para assimilar pautas que ameaçam sua operação, bem como acreditar que é na ascensão de um mercado “vegano” que a libertação animal acontecerá não passa de um exagerado exemplo de ingenuidade e má compreensão de todo um sistema de opressão que se inicia aproximadamente com o surgimento da agricultura e ganha patamares inimagináveis com a modernidade trazendo o capitalismo e sua industrialização a reboque.

Exatamente neste momento que estamos empenhadas em desenvolver algumas considerações sobre veganismos subversivos a convite da Ape’Ku Editora, nós gostaríamos de dizer a você que entende o veganismo a partir do antiespecismo e enquanto filosofia política, que a Vegan Society e o Vista-se embora sejam propagadores da causa, não são donos do movimento, aliás ninguém o é! Um movimento político se faz de várias vertentes e correntes, inclusive algumas até contraditórias entre si, é assim com o feminismo, o anarquismo, o liberalismo, o comunismo e não seria diferente com o veganismo. Na prática pra quem se afina com o veganismo porque o entende como uma ética de justiça social, opinião pessoal é quem distorce seu sentido político para focar seu entendimento como padrão de consumo. O veganismo liberal e branco nunca poderá responder por todo o veganismo, simplesmente porque, como padrão de consumo, ele está a serviço do mercado e da supremacia branca e não dos animais.

Cardápio de Festas 2019

O 2019 da era cristã da supremacia branca foi um ano e tanto para Dhuzati, novas integrantes trazendo magia e provocações em torno das premissas que, no percurso de nossa trajetória, se tornaram verdades sem percebemos. Expansão, propagação de nossas reflexões, trocas, rodas, poções e sabores e muita reconexão, que desencadeia que nossa preocupação, assumindo os limites da história e colocando nossas urgências como prioridades, é muito mais sobre os caminhos que vamos percorrer do que onde queremos chegar, ou seja, transformar os passos de nossa trajetória como mais importante do que nossas conquistas significa que elas, além de nossas frustrações, decepções e erros são resultados de nossas escolhas e dos caminhos que percorremos.

O veganismo enquanto ética política e movimento social ganhou novas e importantes contribuições, porém, seguindo o fluxo de uma radicalidade que objetiva a emergência de algo que seja criado e não somente tomado ou disputado nos pegamos problematizando, diante de um avanço liberal, nefasto, hipócrita e oportunista, não só a origem, mas também o sentido de como se estrutura este termo que envolve diretamente nosso fazer, apesar de focamos muito mais no antiespecismo desde 2016, seguimos pensando uma noção de quebra hierarquia de relações entre espécies a partir de um resgate ancestral que represente um sentido mais ético politicamente e afinado com nossas práticas.

Embora tenhamos, muitas coisas ainda para refletir e compartilhar este cardápio de festas, é fruto de nossas experiências em trânsito pelo Brasil neste ano e de nossas criações a partir dessa importante premissa que nos guia desde os primeiros passos dessa iniciativa, a luta contra o desaparecimento de nossas referências, saberes e sabores ancestrais. São canapés, docinhos, sobremesas, croquetes, tortas, pratos quentes e pratos frios que dialogam totalmente com uma outra política tanto de fazer e preparar, quando de saborear, que preservam conhecimentos e técnicas de populações de África, Pindorama e Abya Yala.

Canapés e Croquetes

Nossas delicias tipo aperitivos guardam a base da hidratação de leguminosas e raizes nativas de sudamérica, os canapés são tipos mais elaborados com recheios e em formato de barca, já os croquetes são as tradicionais frituras com temperos e azeites características.

 

 

 

 

 

 

Pratos Quentes

O destaque desta categoria é o Afromaní, prato que traz um modo africano de lidar com a mandioca e o amendoim, tendo como inspiração o asaro e o maafé, receitas comum na Nigéria e Senegal. O cardápio também conta com os sucessos do nosso antigo Sabamata, os almoços que acontecia aos sábados na Estrada dos Macacos

 

Sobremesas e Docinhos

Nossos docinhos são mix de oleaginosas com frutas secas cheios de sabor e nutrientes. Também trazemos as delícias que marcaram o Sabamata, alem do Meji Dudu, saboroso doce inspirado no Conkie do Barbados que conquistou o público do nosso Afrolícia em Porto Alegre.

Pratos Frios

Salpicão com legumes cozidos, frutas e queijo de girassol e Salada Fria de Amendoím cozido trazendo o inigualável sabor da semente com frescor de verduras frescas.

Tortas

Nosso carro chefe enquanto comida ambulante, este ano preparamos tres tipos diferentes de massa: quiche, oriental e queijo, e uma versatilidade de sabores, destaque para a Nhemba, com feijão macassar no ponto de grãomelete com leite de coco e dendê.

Temos ainda o combo, ideal para levar convidados levarem para festas

Mais de 90% do cardápio é livre de glutém e soja, sem cumplicidade com o genocídio indígena, algo muito importante de trazer a tona neste ano de ascensão fascista! Os pedidos podem ser feitos por whatsapp, telefone, instagram e facebook. 81 99899-3102. Os pedidos devem ser no mínimo com 48h de antecedência