Jornalista argentino documenta assentamento agroecológico na Zona da Mata pernambucana

Na semana da Jornada Universitária Pela Reforma Agrária, trazemos o relato de um Jornalista argentino que visita um sítio localizado próximo ao Recife e descreve com belas palavras e imagens o dia-dia de trabalhadores rurais comprometidos com a agroecologia.

“Assim é mais ou menos um dia no Sítio Agatha, localizado a cerca de 50 km de Recife. Este sítio faz parte do assentamento Chico Mendes, área mantida por camponeses e camponesas guerreiras e conquistadas com muita luta a pelo menos oito anos.

Em 1997, um grupo de 350 famílias decidiram ocupar a terra que compreendia o Complexo Prado, pertencente ao grupo João Santos, dono de uma grande quantidade de engenhos de cana de açúcar, que mantia as terras da região improdutivas.” img_0569img_0483img_0492Confira o texto e todas as imagens em: Latinoamérica Unida Por Las Rádios
Documentário sobre o desalojo de trabalhadores rurais no Engenho Prado em novembro de 2003: https://www.youtube.com/watch?v=yltZ1W4sOVk

UFRPE sedia Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária em Pernambuco

jornada universitariaA partir desta quarta, 23, terá inicio na UFRPE a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária. O evento é um novo marco nas mobilizações contra os latifúndios e em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados no dia 17 de abril de 1996, no Pará.

Dados do último Censo Agropecuário de 2006 demonstram que grande parte da área total ocupada pelos estabelecimentos agropecuários, se concentra nas mãos do agronegócio (75,7%) e apenas 23,4% está ocupada com a agricultura familiar.

Durante todo mês de abril, cerca de 50 universidades do país sediaram o evento que contou com atividades acadêmicas, políticas e culturais em apoio à luta dos movimentos sociais do campo. Para os setores do MST, a Jornada tem como objetivo ocupar o espaço acadêmico e fazer com que os muros da universidade se voltem mais para as demandas socialmente referenciadas, necessárias para a população, para o crescimento do país, que legitimem o sentimento de justiça, de encaminhamentos mais voltados à população, não só para os setores dominantes”.

Na UFRPE o evento inicia marcando presença na Feira Agroecológica Chico Mendes, em apoio à resistência dos agricultores vítimas das perseguições e ameaças higienistas da Prefeitura do Recife.

Confira abaixo a programação completa da Jornada:

QUARTA 23/04

8HRS

Celebrando a vida na feira agroecológica Chico Mendes

Praça Faria Neves no bairro de Dois Irmãos

TODO O DIA

Exposição Fotográfica – Luta pela terra em Pernambuco

ADUFERPE

QUINTA 24/04

8 ÀS 11:30H

Reforma Agrária em Pernambuco

Jaime Amorim – MST

Placido Júnior – CPT

Valquíria Severina dos Santos – MMTR/NE

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

14 ÀS 16H

Educação na Reforma Agrária

Rubneuza Leandro – Setor de Educação do MST

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

18:30 ÀS 21H

Juventude Rural na Reforma Agrária

Paulo Mansan – PJR

Adriana Nascimento – FETAPE

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

TODO O DIA

Exposição Fotográfica – Luta pela terra em Pernambuco

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

 A organização da Jornada na UFRPE conta com o apoio do NAC – Núcleo de Agroecologia e Campesinato, Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas e com o Departamento de Educação

Prefeitura de Recife volta a ameaçar agricultores da Feira Agroecológica Chico Mendes no bairro de Dois Irmãos

pelosricosA Prefeitura de Recife, através da Secretária de Mobilidade de Controle Urbano volta a impedir a realização da Feira Agroecológica Chico Mendes, ameaçando apreender os produtos dos agricultores com base numa medida higienista e falaciosa que visa impedir a livre ocupação de espaços públicos.

Regidos sob a insegurança e o medo da retaliação autoritária do poder público, a organização da feira enviou ofício a prefeitura solicitando a autorização para realização da atividade, mas foram surpreendidos quando informados que não obteriam o aval para utilizar a Praça Faria Neves por haver uma lei municipal que impede atividades econômicas nas praças da cidade. Como medida compensatória, a Prefeitura afirmou que a autorização poderia ser dada apenas na ‘faixa de rolamento’, uma via local completamente inviabilizada entre os fundos da praça e o acesso ao Horto de Dois Irmãos. Devido a falta de apoio político e o temor de serem roubados pelo poder público municipal, os feirantes adequaram o ofício aos termos impostos e angariaram a autorização validada por apenas 30 dias, tendo que renovada mensalmente.

Indignados, porém cedendo a imposição, na semana passada a feira foi realizada no espaço demarcado pela prefeitura. O resultado foi um verdadeiro fracasso, pouco movimento, alimentos estragados, prejuízo financeiro e um desestímulo que provocou a desistência de agricultores que ocupavam cerca de três bancas. O local anterior não prejudica o acesso de transeuntes, fica próximo a parada de ônibus e de frente a avenida que leva ao Lafepe e a UFRPE. Hoje, voltando a ocupar o local impedido, os agricultores foram questionados por motoristas de ônibus e diversos clientes, sobre ausência na semana anterior, fato que atesta a extrema invisibilidade do local ordenado pela SEMOC.

FEIRACLIENTESOs feirantes denunciam a ameaça de confisco dos produtos e a demasiada truculência e grosseria dos agentes municipais. Ainda relataram o tom intimidador da abordagem ao explicitar que exclusivamente neste mês, a autorização estava isenta das taxas de uso do solo e preservação de patrimônio público, mas que caso conseguissem a autorização nos meses subsequentes seriam taxados.

Por sua vez, a SEMOC argumenta que o comercio informal na cidade está completamente indisciplinado e que sua atuação visa garantir a descaotização da mobilidade urbana, priorizando o transporte público e os pedestres. Nos perguntamos como como o poder publico é capaz de subestimar a inteligência das pessoas usando um argumento inescrupulosamente falacioso e covarde, afinal não é necessário ter um doutorado para concluir que a responsabilidade do desordenamento urbano e suas implicações na mobilidade se deve a ampliação da indústria automobilística, a gerência inescrupulosa do transporte público cedidas pelo Estado à empresas privadas e principalmente pela expansão desregulada das torres residenciais e comerciais. Também não é justificável o argumento de que atividades econômicas não podem ser realizadas em praças e parques, quando vemos grandes empresas com seus quiosques no Parque da Jaqueira, além da existência da tradicional feirinha da Pracinha de Boa Viagem, a diferença é que nestes espaços a prefeitura consegue extorquir uma quantia significativa dos comerciantes.

remoçãoA verdadeira justificativa da Prefeitura do Recife se apoia na higienização e privatização dos espaços públicos. Graças a Copa, diversas cidades do Brasil estão passando por processos similares de exclusão e criminalização de pessoas. Como premissa básica para a realização do evento, existe uma pressão da FIFA ao poder público para regulamentarem legalmente as condições que pseudamente garantiria a qualidade, acesso e segurança das partidas e suas exibições oficias nas cidades-sedes. A Lei Geral da Copa, cria as imaginárias Áreas de Restrição Comercial que visa um protecionismo e monopólio do comércio para as empresas patrocinadoras da FIFA e da Copa do Mundo. Enquanto isso a população entra no processo de marginalização sendo impedida de comercializar produtos e até mesmo de circular em espaços onde os novos colonizadores virão curtir a copa sob o mascaramento que os órgãos públicos irão fazer das cidades brasileiras. É importante deixar claro que a imposição da FIFA só vem reforçar uma política de limpeza social presente desde sempre na construção do projeto de Estado brasileiro e legitimado por políticos de distintos partidos. Grandes cidades jovens como Brasília, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba estruturaram seu espaço urbano expulsando pessoas negras e de baixa renda da região central e dos principais cartões postais da cidade graças a execução dos planos diretores fascistas, racistas e elitistas que empurravam os excluídos para as áreas urbanas mais distantes do centro e sem nenhum tipo de infraestrutura básica favorável à ocupação humana.

Em Recife, a prefeitura do PSB se apoia no contexto criado para copa, para convencer a elite pernambucana e os turistas que nós fomos capazes de organizar um espaço urbano similar o da Europa, para tanto, pessoas negras, deficientes e pobres comercializando artefatos simples e de baixo custo são vistas como sujas, desorganizadas, nojentas e prejudiciais a imagem da cidade. Contra esta imundice contrata-se mais de 1500 agentes da miséria, na sua maioria homens de porte atlético, dispostos a honrar seus salários, pagos com dinheiro público, expulsando violentamente trabalhadores itinerantes das vias públicas, roubando seus produtos e ainda obrigando-os a pagar uma diária no depósito da prefeitura, caso queiram resgatar seus pertences.

Apoiamos incondicionalmente a resistência de agricultores da Feira Agroecológica Chico Mendes, bem como de todes trabalhadores itinerantes. Além de nos posicionarmos contra a qualquer tipo de autorização para a ocupação de espaços públicos. Uma democracia que requer autorizações para realização de atividades não está comprometida com uma ética que presa a liberdade e o bem estar das pessoas.

Convidamos todas pessoas simpáticas à luta contra as medidas higienistas e excludentes da prefeitura a comparecerem na Praça Faria Neves, na próxima quarta-feira, 23 a partir das 7hrs, como forma de apoiar a resistência de agricultores e impedirem os desmandos que esta prefeitura alinhada ao fascismo e ao militarismo vem cometendo na cidade.

APOIE
TODO REPÚDIO A POLÍTICA DE HIGIENIZAÇÃO DO PODER PÚBLICO
SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS DA MARGINALIZAÇÃO DO ESTADO
RESISTÊNCIA PARA TRABALHADORES ITINERANTES DO CAMPO E DA CIDADE
FORA COPA, FORA FIFA

Dhuzati Coletiva Vegetariana Artesanal

McVegan: Vegetarianismo e Assimilação

“Conhecida por vender hambúrgueres, a segunda maior rede de fast food do mundo (fica atrás do Subway em número de lojas) acaba de abrir uma loja 100% vegetariana na cidade de Amritsar, na Índia”. É assim que é apresentada a matéria do Vista-se sobre a novidade lançada por uma das empresas mais predatórias e exploradoras do mundo.

mcverggieNas redes sociais o êxtase dos vegetarianos consumistas chega a impressionar, um dos discursos diz: “Comeria lá com certeza e incentivo outras grandes marcas a entrarem nesse ramo. Temos de mostrar a eles que isso dará mais lucro que o tradicional.” outro comentário vai ainda mais longe: “Acho que se preocupar com o mercado e com as motivações morais das pessoas, por si, já é um mérito! Fico feliz em saber que o Mc Donalds se preocupa em oferecer opções a gente como eu!”. De acordo com os comentários só nos resta uma clareza, o estilo de vida questionador sugerido pela ética vegetariana se tornou vendável ao ponto das pessoas escolherem comidas vegetarianas pela mesma lógica que as fazem desejar roupas de grifes: como um produto de alto valor simbólico e mercantil.

É bem preocupante quando vegetarianes reformistas e consumistas, que assumem a alienação da sua alimentação a partir de produtos industrializados ou restaurantes sofisticados, vibram com a possibilidade do mercado absorver seu estilo de vida ou dieta hype, cool e distante da massa para que ela seja incluída nos mais distintos mercados. Na realidade este fato revela que o objetivo principal dos vegetarianos liberais, comumente pertencentes à classe média, é apenas garantir mais uma posição de privilégio no sistema capitalista, sair do gueto e se tornar shopping, celebrades, reconhecides e vangloriades pela mídia e opinião pública.

O capitalismo é um sistema, e como tal é estratégico, possuí uma grande base filosófica e racional e constrói todo um esquema simbólico capaz de penetrar na subjetividade humana. Portanto, qualquer questionamento que provoque uma crítica aos seus pilares e a sua estrutura será facilmente absorvido, compreendido, reduzido e deturpado para que ele possa transformar a crítica em demanda de mercado e atrair consumidores que se deslumbram facilmente com novidades, mudanças de hábitos e renovações. A produção industrial de alimentos além de ser predatória à animais não humanos devido aos assassinatos resultantes da exploração, poluição desenfreada, manejo e desmatamento é extremamente danosa à saúde e ao psicológico de seres humanes. O próprio Estado brasileiro, e outros tantos, reconhecem esta periculosidade atribuindo uma porcentagem – que pode chegar a até 40% do salário mínimo – de remuneração por insalubridade à trabalhadores industriais, regulamentada em leis trabalhistas.

empurraecomePara as pessoas que detêm poder colaborando com as estruturas hegemônicas, se faz taticamente necessário assimilar os aspectos rasteiros dos discursos questionadores para mascarar a complexidade de explorações e dominações envolvidas nas estruturas sociais e consequentemente frear possíveis crises de magnitudes mais intensas. Um dos fatores mais significativos para a emergência da crítica vegetariana se dá pela  exploração brutal e assassinatos em série de animais não humanos criada a partir da industrialização, portanto, criticar o consumo de animais não atentando a lógica de alimentação industrializada é completamente inconsequente e ingênuo.

Como o capitalismo foi bem sucedido em construir a sociedade que hoje temos, altamente tecnológica e rica, embora desigual, argumenta-se que, por ele ter produzido um mundo supostamente “bom”, acabou produzindo o melhor dos mundos possíveis ou que somente ele teria produzido esse mundo melhor, postura por sinal bem arrogante. Quando as insatisfações surgem, o próprio sistema se alia ao Estado para vender a solução, na forma de produtos, incentivos fiscais, políticas públicas ou leis, afinal a assimilação também busca a legitimidade de poder e a empatia por governantes e políticos colaboradores do capitalismo.

“Não há dúvidas de que o estado está do lado daquelxs que exploram xs animais. Com algumas exceções, a lei é decididamente anti-animal. Isso é demonstrado tanto pelos subsídios dados pelo governo às indústrias de carne e laticínios, de vivissecção e utilização militar dxs não humanxs, como pela sua oposição aquelxs que resistem às indústrias de exploração animal. Os políticos nunca irão entender porque é que o estado deveria proteger xs animais. Afinal de contas, todas as esferas da vida social perdoam e encorajam os seus abusos. Agindo segundo os “interesses” do eleitorado (humano), as decisões serão sempre traduzidas, por muito absurdo que seja, contra os interesses do reino animal [..]. Isto é, queremos realmente que o estado se meta entre humanxs e animais, ou preferimos eliminar a necessidade de tal barreira? A maioria concordaria que ter humanxs a decidir contra o consumo de animais sem nenhuma coação, é a opção ótima. Então pensemos, se a proibição do álcool originou tanto crime e violência, imaginem a crise social que a proibição da carne iria criar! Tal como a guerra da droga nunca fará nada para solucionar os problemas surgidos pela dependência química e o seu “submundo” correspondente, nenhuma guerra legal contra a carne conseguiria restringir a exploração animal; apenas causaria ainda mais problemas. A raiz deste tipo de problema reside no desejo, socialmente criado e reforçado, de produzir e consumir coisas que realmente não necessitamos. Tudo sobre a sociedade atual diz que “necessitamos” de drogas e de carne… Mas o que nós realmente necessitamos é de destruir esta sociedade!

Brian A. Dominik
‘Libertação Animal e Revolução Social’

O discurso assimilacionista ou liberal defende iniciativas de como a do Mc’Donalds com o argumento de expansão do veganismo. Daí nós perguntamos a que custo? Será mesmo que o não oferecimento de carnes para alimentação é mais importante que a exploração laboral ou a destruição que a produção de alguns alimentos podem causar ao ambiente e a saúde? Nós achamos que não. Se a luta é pela liberdade, que seja interseccional, isto é, que seja por uma liberdade estrutural, em várias esferas e não setorial, segmentada por estilo de vida vendável.

Este texto pretende apenas localizar politicamente os discursos em relação a novidade lançada pela McDonald’s. Cremos que associar libertação animal e alimentação com o mercado não traz uma discussão coerente sobre liberdade e horizontalidade, pelo contrário representa estratégia política de assimilação de discursos questionadores e críticos, além de representar uma sofisticação da opressão e uma alienação aos diversos aspectos que cruzam diversos interesses da sociedade.

Prefeitura de Recife autua e proíbe a realização da Feira Agroecológica Chico Mendes, no bairro de Dois Irmãos

Na última quarta, 02/04, a Feira Agroecológica Chico Mendes, realizada na Praça Faria Neves, no bairro de Dois Irmãos, acontecia normalmente até os feirantes serem surpreendidos pelo autoritarismo de uma equipe da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, da Prefeitura de Recife.feirachicomendesA feira foi autuada por não ter a licença da prefeitura e a agente responsável intimou os organizadores a comparecer em uma unidade da secretaria, no Bairro de Casa Amarela. Segundo consta na intimação, a feira não poderá ser reaberta até a solução das pendências. A agente adiantou que pelo fato de a praça ser tombada, a feira não poderá continuar acontecendo na Praça Faria Neves.

A Dhuzati Coletiva Vegetariana Artesanal se posiciona veementemente contrária a esta atitude arbitrária da prefeitura que em tempos de copa, objetiva manter o controle e a higienização de todos os espaços públicos proibindo pessoas e coletivos de circularem e realizarem atividades livremente sem a autorização de qualquer órgão público.

Uma democracia que prevê uma autorização para ocupar espaços públicos não está a serviço da liberdade e do bem comum, mas sim sob a necessidade de monitorar, controlar e restringir as ações políticas de organizações autônomas.

Espaços públicos devem ser utilizados e apropriados por pessoas e coletivos independentemente de uma autorização. Se temos que pedir autorização é porque uma negação está prevista. Está premissa só faz sentido em cidades que privatizam espaços de sociabilidade e lazer para empresas privadas, transformando-os em grandes vitrines publicitárias, ou para encher os cofres da mercenária prefeitura cobrando taxas exorbitantes, a exemplo a Feira do Bom Jesus.

A Feira Agroecológica Chico Mendes já fora realizada em outros momentos sem ter que se incomodar com o autoritarismo higienista da prefeitura, devido a esta experiência ressaltamos o repúdio a essa ação coronelista e nos posicionamos em resistência e solidariedade as famílias agricultoras do Assentamento Chico Mendes III.