Cidade: Um conceito vital para o capitalismo

Recife,_Pernambuco_(2)_-_BrasilEm tempos de crise ecológica, questionamento da democracia enquanto sistema político coerente e emergência de experiências políticas anti-hierárquicas e coletivistas não é suficiente pensar um projeto de cidade sem dar prioridade ao protagonismo político das pessoas e principalmente, sem se comprometer com a garantia de necessidades básicas com autonomia e liberdade, livres das imposições de mercado e das regulações do poder público.

Alimentação, Saúde e Moradia são campos básicos e elementares. Comunidades que convivem com crise alimentar, epidemias de patologias ou que estão em situação de rua e desabrigadas, voltam suas lutas em torno destas questões, pois elas estão diretamente ligadas à sua sobrevivência.  A luta pela moradia nas cidades é equivalente a luta pelo direito a terra no campo, pois ambas almejam projetos políticos de caráter comunitário e coletivistas e são brutalmente reprimidas pelas armas do Estado e invisibilizadas pelo fetiche da vida consumista urbana.

A crítica a partir do conceito de classes, neste momento, objetiva visibilizar a urgência das pessoas que vivem de modos indignos e inimagináveis para pessoas que sempre tiveram acesso à moradia, alimentação garantidos.

Solidariedade, apoio mútuo e construção coletiva não são possíveis sem reconhecimento de privilégios. Um projeto politicamente justo, que considere as pessoas em toda sua diversidade de classe, étnica, sexual e cultural deve priorizar pautas básicas e urgentes como acesso à moradia e alimentação, bem como pensar sua execução fundamentadas a partir de iniciativas ecológicas e não predatórias como a permacultura e a bioconstrução, além de conter ações que viabilizem a autonomia alimentar, através de hortas urbanas, beneficiamento de alimentos e cooperativas de consumo, promover uma educação que colabore com as demandas da agricultura familiar urbana, da organização artesanal e visem a utilização e geração de tecnologias limpas para obter energia.

As discussões urbanísticas sobre a cidade, infelizmente, ainda são elogios ao concreto e uma exaltação à vida urbana capitalista segregadora. Pensar um espaço geográfico como cidade e não considerar os preâmbulos que configuram este conceito é absolutamente incompatível com um discurso que diz ser voltado para as pessoas. A discussão sobre reforma urbana não aborda a hostilidade com os que não atendem a normatização estética capitalista e aos que não a legitimam. Lutar por uma cidade para as pessoas, é inevitavelmente, lutar pelas pessoas que compartilham de uma ideia elitista e segregadora e por um modo de vida análogo a escravidão.

NOSSOS SONHOS NÃO CABEM EM SUAS URBES
Isto está longe se ser uma apologia à vida no meio rural, seja em sua forma positivada – idílica e romantizada – ou na forma “realista” – por efeito das forças políticas dominantes que definem o que é o “real”. O que chamamos de “rural” é apenas o resultado da formatação, da redução das paisagens, relevos e biomas pela política espacial urbanocentrica capitalista, em áreas de extração de recursos e alimentos. O ruralismo é uma política que serve à urbanicidade. Esta política se coloca de forma que tudo (e todos) que não é urbano seja reduzido a simples reserva de matéria prima (e mão de obra) a ser (constante e eternamente) explorada em favor da vida nas cidades.

f5f52dcee09db3a97ee77294fd175d64Se posicionar contra o urbanocentrismo não implica também em uma refutação a tudo quanto exista no meio urbano. Mas passa por entender que as cidades se tornaram locais estratégicos para  relações e práticas que sequestram as necessidades de seres humanos em nome do progresso das  corporações. Este entendimento implica em reconhecer o caráter de dependência das pessoas nos campos da moradia, saúde e alimentação, que dentro no meio urbano são impedidas de terem o controle autônomo a nível individual e comunitário, ou seja, para garantir boas condições de moradia, saúde e alimentação, alguém precisa lucrar muito com isto.

Com a divisão urbano/rural sendo incontestável, a ideologia da cidade alcançou a pretensão de englobar (e se sobrepor a) todas as diferenças. É justamente no meio urbano guiado pelo princípio dogmático do crescimento econômico infinito, o contexto em que o capitalismo se mostra mais “desenvolvido”.

A naturalização da urbe é constantemente produzida e reforçada pela máquina capitalista de administração de desejos. Seu poder é tão grande que,atualmente, poucas pessoas conseguem perceber as formas mais ostensivas de controle e dependência a que estão submetidos nas grandes cidades. Obrigados a consumir bens, serviços e comodidades produzidas por corporações, submetidos a instituições estatais que sobretaxam cada aspecto de suas vidas, muitos estão condenados a uma vida de dependência do trabalho assalariado. Positivado e cultuado (e não apenas entre os “burgueses”) o trabalho assalariado nada mais é do que uma forma sofisticada de escravidão por dívida. A maior parte das funções assalariadas são tediosas e desgastantes. Boa parte se dá em ambientes quase totalitários, uma vez que no capitalismo a ilusão democrática jamais deu o ar de sua graça na organização dos grandes meios de produção.

GENTRIFICAÇÃO

vilabrandaoCabe aqui pensar nos aspectos políticos do que reproduzimos inconscientemente, apenas por estarmos em locais políticos pré-determinados. Não podemos ser ingênuos e não acreditar que uma experiência de classe, por exemplo, pode moldar nossas visões e nos cegar para questões que são mais latentes em classes distintas. A segregação social imposta brutalmente pelo sistema capitalista e pelo Estado almeja isso: distância política como elemento fundamental para não sensibilizar as pessoas, fazendo com que os setores sociais não solidarizem-se entre si.

Entende-se por gentrificação o fenômeno que revitaliza uma região ou bairro valorizando-a economicamente e afetando ou excluindo a população de baixa renda local. As formas de gentrificação agregam, comumente, a inclusão de novos pontos comerciais, construção de edifícios e espaços culturais. O reordenamento urbano traz consigo um aumento dos custos de bens e serviços dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local, cuja realidade foi alterada.

Este processo interessa sobretudo aos políticos em geral, às grandes corporações, aos promotores culturais, artistas e aos planejadores urbanos. Esse modelo de mão única, realiza uma limpeza social e cultural nas áreas urbanas “degradadas” para torná-las novamente atraentes ao mercado através de mega-equipamentos culturais.

A gentrificação passou a constituir-se como estratégia urbana crucial aos interesses do desenvolvimento capitalista, tendo se generalizado por cidades de todo o mundo. É certo que essa evolução evidencia-se de diferentes formas, em diferentes bairros e cidades, contudo, em termos gerais, podemos dizer que para que haja gentrificação é necessário:

1) uma reorganização da geografia social urbana, com substituição, nas áreas centrais da cidade, de um grupo social por outro, de estatuto mais elevado, seja pelo viés da habitação ou da circulação;
    
2) um reagrupamento espacial de indivíduos com estilos de vida e características culturais similares;

3) uma transformação do ambiente construído e da paisagem urbana, com a criação de novos serviços e uma requalificação residencial que prevê importantes melhorias arquitetônicas;

4) por último, uma mudança da ordem fundiária, que, na maioria dos casos, determina a elevação dos valores fundiários e um aumento da quota das habitações em propriedade.

Em Recife, as comunidades de Brasília Teimosa, Bode e Encanta Moça, no entorno do Cais José Estelita, passam por este processo de maneira mais acelerada, impulsionadas sobretudo, pelos empreendimentos financiados por João Carlos Pães Mendonça.

especulação imobiliaria

No Rio de Janeiro, o Porto Maravilha, na região portuária da cidade, desencadeia ações gentrificadoras de revitalização e desalojo a partir da construção de espaços voltados para o turismo e o consumo cultural midiatizado, ambos ligados às indústrias culturais, às artes, à publicidade, ao design, à moda, à cultura, imagem e marketing, arquitetura e decoração, entre outras, sob justificativa da preservação histórica e material da cidade. O consumo ou apreciação das atrações e espetáculos trazidos por estes espaços pressupõe uma educação mais globalizada e uma vivência cosmopolita não acessível a setores que tem urgências básicas como moradia, alimentação e saúde por exemplo.

Os chamados projetos mistos que prevê à adesão de moradias populares e espaços culturais, coloca a população marginalizada em loco distinto dos consumidores de cultura, pois estes, em síntese, reivindicam o acesso a uma cultura urbana propagada pela convergência das múltiplas informações midiáticas (TV a cabo, smartphones, internet, cinema e revistas especializadas), pelo desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação e pelas novas tendências produzidas por uma elite artística que não necessariamente se interessa pelo o cotidiano, dinâmicas, narrativas e produção de cultura dos setores mais populares.

CULTURA, AUTONOMIA E HORIZONTALIDADE
Recife, como importante polo turístico no Brasil, possuí uma grandiosa gama de espaços culturais geridos por bancos e órgãos públicos, instituições, que por sinal, lucram muito com todo processo de higienização e gentrificação das cidades.

Estes espaços se definem como públicos e oferecem à sociedade atrações na maioria das vezes gratuitas ou a preços acessíveis.

Contudo, o caráter público destes espaços não necessariamente transforma-os em populares, na realidade, acabam não sendo atraentes para as pessoas que estão fora dos nichos universitários e artísticos. Ainda na cidade, existem espaços culturais e pontos de cultura  populares que por sua vez não atraem, com suas significativas exceções, a classe média. Espaços culturais consumidos pelos setores não populares na periferia, comumente são os que agregam valor a partir da tradição e remontam à uma identidade regional local construídas a partir dos processos de espetacularização e bairrismo fomentados pelo Estado.

Considerando esta premissa é importante pensar a direção dos projetos referentes ao Cais José Estelita levando em prioridade a troca e a vivência cultural a partir da construção de moradias populares autônomas e sustentáveis, que foquem na soberania e autonomia alimentar com hortas urbanas agroecológicas, cooperativas de beneficiamento de alimentos e de consumo; construções elaboradas com técnicas de permacultura e bioconstrução, onde as pessoas poderiam protagonizar o levantamento de suas residências, espaços coletivos, centros produtivos e sistemas sanitários possibilitando não só a apropriação de conhecimentos técnicos e filosóficos mas sobretudo a propagação de formas alternativas de ocupar o espaço urbano ecologicamente coerente e contrárias a indústria da construção civil, mentora estrutural do Projeto Novo Recife.

Usando este espaço para priorizar pessoas em situação de vulnerabilidade social, que têm urgência por moradia, pela perspectiva da autonomia e da agroecológica, inevitavelmente abraçaríamos propostas de vivências culturais horizontalizadas e um ambiente de sociabilidade que permitiria a troca de experiências e de conhecimento pelas ações práticas. Uma realidade onde uma comunidade produz seu próprio alimento e beneficia o excedente, domina práticas de construções ecológicas, produz materiais e tecnologia a partir de iniciativas artesanais, garante às pessoas de fora da comunidade a apropriação dos espaços coletivos para a realização de atividades e organiza cooperativas de consumo fundamentadas na produção interna, e aberta para produções artesanais externas, baseado num sistema de organização coletiva que garanta a equidade entre os seres, certamente virá acompanhada de inúmeras performances culturais, artísticas, poéticas e cinematográficas para celebrar e exaltar a liberdade vivida e para serem compartilhadas e apreciadas em público.

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Referências:

 

Sobre Xampus e Indústria

2184Há algum tempo atrás eu falei sobre um fato que levanta muita curiosidade: por que os índios têm cabelos limpos, sadios e brilhantes se não usam xampu?* E então fica a dúvida da necessidade real deste produto em nossas vidas ou se ele é apenas mais uma das grandes falácias da publicidade, que empurra inutilidades que acabam por se tornar verdadeiros essenciais.

Pois bem, o xampu apareceu pela primeira vez na Europa no final do século XVIII e não era de nenhuma maneira parecida com o produto que temos hoje. De fato, ele era apenas uma mistura de sabão (o mesmo do sabonete da época) diluído em água com ervas aromáticas. Mais tarde, somente em 1914, surgiu o xampu em barra, que seria largamente comercializado, e em 1927, o primeiro xampu líquido surgiu.

Durante todo este período, como as pessoas lavavam o cabelo? Bem, elas lavavam com água somente e quando o sabão começou a ser utilizado, o cabelo era lavado apenas algumas vezes por mês com a substância. Fato é que apenas na década de 60, começaram a surgir comerciais afirmando que não era saudável manter os cabelos sem lavagem por mais de um dia e então começou uma campanha de marketing fortíssima que convenceu a população de que o xampu era essencial em suas vidas e não só essencial como algo que deveria ser usado todos os dias.

Atualmente, a fórmula da maioria dos xampus comuns contém o famoso lauril sulfato, um componente suspeito de levar ao câncer e reações alérgicas, que enfraqueceriam o sistema imunológico. Ademais, saindo das suposições, vários dos componentes encontrados nos xampus comuns poluem as águas, causando danos aos recursos hídricos em larga escala de tempo (veja final do post).

É assim que, depois de tanto poluirmos e depois de tanto sermos enganados, o movimento do “no-poo” surgiu como forma de rechaçar a necessidade imposta do xampu e mostrar que nem ele e nem o condicionador são de fato necessários para nossa existência (inclusive social).

Eu resolvi testar a ideia duas vezes e na primeira fiquei dois meses lavando meu cabelo apenas com água. Infelizmente, não funcionou como as propagandas do movimento “no poo” tanto clamavam. Enquanto eu via fotos de cabelos maravilhosos e milagres sobre o efeito, na realidade, meu cabelo ficou extremamente oleoso.

Apesar disso, algo aconteceu: a minha necessidade de condicionador desapareceu. Nisso, eu resolvi dar mais crédito ao movimento e testar mais uma vez alguns meses mais tarde.

Por dois meses novamente eu resolvi eliminar o xampu da minha vida e, desta vez, resolvi me informar mais sobre o assunto para ver se tinha esquecido algum detalhe na primeira vez. De fato, existe todo um processo de transição que detalharei em passos abaixo:

1) Para quem quer começar o “no-poo” e se livrar desta substância, a primeira dica é começar a diminuir a quantidade de xampu que se leva à cabeça. Assim, tente medir o quanto você usa por banho e diminua pela metade. Uma dica é espalhar a substância nas mãos primeiramente e depois levar ao cabelo, pois isso ajudará a espalhar melhor. Fique uma semana fazendo isso e note se o cabelo tende a ficar mais oleoso. Se sim, continue tentando por mais uma semana ou mais, até que ele se acostume.

2) Quando tiver passado por este passo, diminua a quantidade de lavagens. Neste caso, se você lava todo dia, tente lavar um dia sim e um dia não e vá fazendo isso e aumentando o intervalo para dois dias a três dias sem lavagem e fique fazendo isso até que seu cabelo se acostume e não fique tão oleoso. Nesta fase, se você quiser lavar o cabelo e não for o dia do xampu, use somente água morna.

Estas duas fases demoram um pouco e vou ser sincera de que até aí tudo funcionou muito bem para mim. É importante lembrar que cada pessoa tem um tipo de cabelo e cabelos lisos e escorridos, como o meu, tendem a ser mais oleosos e demorar mais para se adaptar, enquanto que cabelos cacheados, crespos e afros tendem a se adaptar melhor. Outro fato importante de saber é que a oleosidade do cabelo é natural e importante para a saúde dos fios e o excesso de óleo é causado pelo uso do xampu e não por falta de lavagens. Apesar disso parecer estranho, o fato de usarmos muito xampu tira a oleosidade natural do cabelo, o que faz com que as glândulas sebáceas produzam ainda mais óleo. Assim, quando se começa a diminuir o uso do produto, notar-se-á que o cabelo ficará bem oleoso e deve-se esperar para que ele entre em uma fase de adaptação, para que as glândulas parem de produzir o excesso de óleo.

3) Se você teve paciência para as duas primeiras fases, está na hora de trocar o xampu pelo bicarbonato e pelo vinagre. Neste caso, o bicarbonato substituirá a ação detergente do xampu e o vinagre agirá como condicionador regulando o PH. Uma quantidade razoável de bicarbonato é uma colher de chá para um frasco de 250 ml de água. E o mesmo se faz para o vinagre, que deve ser de maçã (menos ácido). Apesar de não deixar cheiro, é possível usar também o suco de uma colher de limão diluído m 250 ml de água, lembrando que estas substâncias não devem ser usadas sob o Sol.

Outra informação importante é que a quantidade de bicarbonato e vinagre varia de pessoa para pessoa, então é importante fazer o teste. Comece usando esta quantidade que lhes falei e se o cabelo ficar muito seco diminua e se ficar oleoso aumente. Em alguns casos, o cabelo é tão oleoso que o vinagre não é necessário. No meu caso, eu não usei. Por fim, quando se for usar o vinagre, ele só deve ser espalhado nas pontas e enxaguado em seguida. Não o deixe no cabelo por muito tempo, pois isso poderia deixar o cabelo ácido ao invés de regular o PH.

4) Durante a fase 3 haverá um tempo de adaptação que poderá levar de duas a quatro semanas (ou mais se ele for muito oleoso). O ideal é lavar o cabelo como se lavava na fase 2, mas usando o bicarbonato, ao invés do xampu. Para a fase 4, o ideal é passar a usar somente água, depois que o tempo de adaptação com o bicarbonato passou. Lave somente com água por duas semanas e depois volte com o bicarbonato apenas no final da semana. Este tempo é útil para ajudar as glândulas a se adaptarem ao novo ambiente.

O “no-poo” constitui-se de todas estas quatro fases, porém ele não funciona para todo mundo. No meu caso, eu fiz todas as fases e, infelizmente, na última fase, meu cabelo estava tão oleoso que parecia estar molhado. Eu voltei para a fase 2 e agora estou tentando voltar para a três. De fato, como eu disse, pessoas com cabelo oleoso não se adaptam fácil com o “no-poo” e é preciso meses de adaptação. Além disso, em alguns casos, é preciso sim que um agente saponificante seja usado. Se você testar e der certo, fico grata de ter contribuído para que mais uma pessoa se torne auto-suficiente de mais um produto que é prejudicial ao meio-ambiente e à saúde, porém, se você não conseguiu, existem alternativas saudáveis de xampu e que não possuem parabenos e nem lauril sulfato em seus componentes.

Xampus orgânicos e veganos

imagesUma informação importante sobre xampus orgânicos e veganos é que nem sempre eles são tão naturais como parecem. Na maioria dos casos, eles possuem o lauril e somente os parabenos estão de fora. Assim, procure ler a lista dos ingredientes e não compre se eles possuírem os segui ntes componentes:

– formaldeídos como DMDM, hidantoína e bronopol: são potencialmente cancerígenos e alérgenos. São usados como preservativos.

– parabenos: são disruptores endócrinos, pois imitam a ação dos estrógenos Podem causar desregulamento do ciclo hormonal de mulheres e quando vão para a água, podem ameaçar a fauna, principalmente de peixes e anfíbios. Por fim, têm sido associados ao câncer de mama.

– fitalatos: associados à diminuição da produção de espermatozóides em humanos e animais. Usados para suavizar materiais, tornando-os mais maleáveis. – BPA: disruptor endócrino similar ao parabeno.

– Triclosan: mais encontrado em sabonetes, pode levar à seleção de bactérias resistentes e são disruptores endócrinos.

– Sódio lauril sulfato ou outros tipos de sais de lauril sulfato: usados para dar espuma, este componente é irritante da pele, mucosas e olhos e é tóxico para animais aquáticos, acumulando-se em seus tecidos. Além disso, ele é um pesticida natural, usado, inclusive, como agrotóxico e por fim, se misturado a trietanolamina, pode produzir nitrosames, substâncias comprovadamente cancerígenas.

Não é sem motivo que eu resolvi aderir à técnica do “no-poo”. Além de me tornar mais auto-suficiente, eu venho notando uma melhora na minha saúde capilar e sei que boicotando estes produtos, poluo menos o meio-ambiente e minha saúde. Por fim, para quem não der certo, xampus orgânicos são uma boa solução, desde que comprados com cautela.

Fonte: Pensando ao Contrário
Por Camila Gomes Victorino

Relato sobre o 1º Mutirão e Oficina de Bioconstrução

DSCF4457Nosso primeiro mutirão nos trouxe muito aprendizado e uma reflexão sobre a importância da propagação de uma ética política menos desigual em locais onde as reproduções da cultura hegemônica se reverberam em alto e bom som.

Nossa programação ficou um pouco alterada devido a problemas ao acesso do acampamento. Tinha chovido e não estávamos em um transporte que desse conta do lamacero que encontramos. Tivemos que descer faltando ainda 4km para o acampamento para continuar o percurso a pé.

A experiência de comer milho e macaxeira recém tirados do pé trouxe duas constatações: o milho que vira pipoca assando na brasa é docinho e a macaxeira é tão cremosa que parece uma manteiga.

Realizamos uma reunião de avaliação da atividade e alguns problemas apareceram. Aqui colocamos algumas premissas que se fazem necessárias, na tentativa de deixarmos mais claros nossos objetivos e outros pontos que consideramos pertinentes.

1) A atividade compreende a construção de uma simples casa de taipa, que será destinada a uma das pessoas do Acampamento Araújo do MST. Existem outras casas de taipa no local, construídas por pessoas que dominam esta técnica desde criança. Nossa ideia e nos apropriar deste conhecimento e propagar sua potência como forma mais coerente e ecológica de construção e desmistificar o estigma cultural dado pela racionalidade científica e industrial à estas construções, por estarem associadas a miséria, ignorância, atraso e incivilidade.

2) Nosso objetivo em estar neste espaço consiste em assimilar a partir da prática, as técnicas de bioconstrução e vivencia-las norteadas por uma ética solidária e organização anti-hierárquica, visualizando a emergência de espaços, ambientes e sociabilidades anticapitalistas. A Dhuzati pretende construir neste espaço um laboratório de experimentação tecnológica, agrícola e alimentar de cunho artesanal, agroecológico e anti-especista.

3) Nossa organização prevê um grupo onde as pessoas tenham impulso e protagonismo político para colocar suas questões mais pertinentes. Não gostamos da ideia de liderança e não nos vemos guiados por pastores. Pensamos num tipo de organização que sempre esteja aberta para a exposição de problemas e rearranjos durante o percurso das atividades.

Depois de avaliarmos algumas circunstâncias que apareceram durante a atividade, concluímos que os próximos mutirões deverão ser realizados com pessoas mais próximas e que compartilhem de uma visão sobre bioconstrução e permacultura numa perspectiva mais libertária.

Segue as fotos deste 1º encontro:
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Mutirão e Oficina de Bioconstrução

uhallaNos próximos dias 19 e 20 de Julho facilitaremos no Assentamento Araújo, em São Lourenço da Mata um mutirão e oficina de bioconstrução, prevendo, neste momento inicial, a construção de uma casa de taipa.

O Assentamento Araújo é recente, há pouco iniciou-se a plantação de milho e feijão e os principais esforços estão sendo na construção de casas. Nesta atividade planejamos para além dos esforços coletivos na construção da casa e roda de diálogo sobre técnicas de bioconstrução, a degustação de alimentos veganos e banhos de açude pela matina.

A taipa é apenas umas de várias possibilidades de bioconstrução. Este material, além de incombustível é isolante térmico por natureza. A taipa foi empregada na arquitetura de fortificações por diversos povos desde a antiguidade, destacando-se a China, que a utilizou em extensos trechos da Muralha da China, e a cultura islâmica e várias etnias africanas.

Pedimos às pessoas interessadas na atividade, o envio de email para dhuzati@libertar.se, afim de receber as informações sobre o itinerário do local, programação e demais ajustes organizativos. Como falamos acima o Assentamento Araújo é bem recente e por isso se faz necessário ter algumas precauções de segurança.

Temos urgência por transporte

Você poderá levar os seguintes alimentos:
Trigo
Feijão
Arroz
Macarrão
Fuba
Farinha de Mandioca
Lentilha
Grão de Bico
Ervilha

Para acomodar-se
Barraca de camping
Cobertas
Roupas para trabalhar com o barro
lanterna