Frutos amazônicos

Ao nos deparar com a diversidade presente na amazônia, começamos a entender que é possível usá-la como arma contra a colonização alimentar. Com frutos apreciados integralmente, quase sempre crus e sem grandes preparos culinários a cultura alimentar amazônica tem muito a nos ensinar sobre descolonização dos sabores e práticas regulares de consumo de frutos.

Aqui segue uma pequena lista de frutos ainda não muito conhecidos da amazônia. A pupunha que fora do norte é conhecida mais pelo palmito de sua palmeira, tem sabor delicioso além de acesso popular, diferente do palmito que é gourmetizado e para ser extraído pressupõe a derrubada do tronco da planta. Outras frutas curiosas que conhecemos como Uxi, Turucibá, Rambutã e Biribá, acabaram não entrando nesta lista pois a vivência pedia mais atenção que os recursos tecnológicos.

A Pupunha é a única que se come cozida e excelente pra café da manhã, tem uma textura e sabores que podem parecer estranhos no começo, mas difícil parar de comer se entrar na rotina.

Tucumã, a iguaria mais babadeira da amazônia, este fruto é simplesmente demais! A maioria da população come ele em natura mesmo, descascando com a faca em meio a um papo. Também se come com pão, tapioca e fiquem chó, em Manaus tem até pizza disso. Desta forma trouxemos o cuscuz presente no cotidiano da zona da mata nordestina adicionando o incrível tucumã, pra começar o dia com o vigor do amarelo e aquela energia de óleo das palmeiras.

Umari, impossível resistir, presença garantida nos cafés da manhã, almoço e jantar, acabamos desenvolvendo uma receita base para este fruto tentando respeitar a premissa de não usar muita tecnologia, seja, eletrodomésticos ou o próprio fogo para consumo. Assim surgiu a umarinese, que consiste numa grande quantidade de poupa de mari com um pouco de água. Esta técnica pode render, tanto a marinese, quanto creme pra doces quando molho a depender da quantidade e mistura de líquidos que se coloca.

Mari-Mari ou Ingámari, comemos apenas in natura, refrescante, gelatinoso, com um doce crítico, que você encontra ao abrir um ingá de aproximadamente 80cm.

Bacaba, coletamos direto do pé junto com a macaxeira (sim lá tem macaxeira e mandioca e não são a mesma coisa) no sítio agroecológico de D. Sulamita. Descemos o rio Igapó Açu nos distraindo com estas sementes na boca in natura e guardando suas sementes é claro. O vinho de bacaba e muito consumido pela população local, sendo encontrado também nas feiras livres, obtido através de um processo de extração da polpa muito parecido com a do açaí.

Cupuaçu, comido fresquinho recém tirado do pé é a melhor combinação de doce-ácido quelônios amazônicosque pode existir.

A Castanha da amazônia, despensa comentários, aprendemos uma receita que compartilharemos aqui em breve de doce do seu leite. Quem nos passou foi D. Sulamita, uma senhora muito simpática residente da comunidade Igapó Açu e nos mostrou que o doce serve pra tudo, desde de presente pra dar uma agitada na criançada até para adoçar o café, chás e sucos.

A partir dessa variedade, enfatizamos que tanto nutricionalmente quanto eticamente, a floresta oferece possibilidades alimentícias que coloca em cheque a necessidade da caça predatória aos animais selvagens e a escravidão dos animais não humanos trazida pela colonização da terra e pela domesticação. Óbvio que há muito a ser trabalhado na propagação dos direitos dos animais no cotidiano e nos próprios projetos de conservação de espécies em risco, contudo não podemos esquecer que o conhecimento popular e ribeirinho muitas vezes podem ser aliados nessa empreitada, guiado por um afeto e ética já presente no dia dia de quem tem a convivência com os animais não humanos, sejam eles selvagens ou domesticados, uma realidade material, que entende-os também como sujeitos.

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