Solidariedade ao ataque sionista e islamofóbico contra o restaurante Papaya Verde

A página do restaurante Papaya Verde no Facebook foi atacada por uma onda conservadora e sionista, acusando o restaurante de promover antisemitismo por propagar adesivos com mensagens em prol à Palestina Livre e denunciar o genocídio cometido pelo Estado de Israel. O post de Roberto Grobman, que clama pelo ataque virtual ao restaurante, contém várias depreciações e calúnias associando a equipe do estabelecimento ao terrorismo e uma frase infeliz que enaltece o genocídio do povo palestino.

O sionismo é uma ficção política que defende um Estado judaíco no território que existiu o antigo Reino de Israel, colocando uma ambição fundamentada na crença religiosa da Terra Prometida, como algo superior a cultura e a vida das pessoas que habitavam Palestina. Contudo, devido as barbaridades cometidas pelos governos e a violenta expansão do Estado judaico, está emergindo uma crescente frente antisionista, protagonizada inclusive por judeus que não concordam com a política austera, liberal e militarista do Estado de Israel. Por isso se posicionar como antisionista não tem haver com ser antisemita, uma vez que isto é sobre a localização política de um grupo de judeus supremacistas e não contra o povo judeu como um todo.

Recentemente o deputado Jair Bolsonaro foi fortemanete aplaudido e chamado de “mito”, por um auditório com cerca de 500 pessoas, ao fazer afirmações preconceituosas e jocosas sobre negres, indígenas, mulheres, dissidentes sexuais, refugiades e integrantes de ONGs, em uma palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro. Este fato, mostra que sionistas têm, ao longo do tempo, assumido os mesmos discursos e práticas políticas fascistas, baseada na eliminação da diferença, que resultou na perseguição, tortura e extermínio do povo judeu na metade do século XX. Para alguns judeus, o evento representou uma afronta à memória da comunidade judaica e ao jornalista refugiado Vladimir Herzorg, assassinado pela mesma ditadura que o parlamentar enaltece. A Confederação Israelita do Brasil também repudiou o evento.

A estratégia difamatória de pessoas com valores execráveis e de caráter hediondo merece combate a altura uma vez que seus princípios e sua política excludente não vitima apenas os palestinos e povo árabe, mas sim todas as minorias e marginalidades que lutam por justiça social e equidade em nome dos privilégios econômicos e políticos desta elite. Por isso prestamos nossa total solidariedade não apenas pelo restaurante promover o vegetarianismo e a cultura palestina mas sobretudo por sermos radicalmente contrárias ao projeto islamofóbico, liberal e supremacista promovido pelos sionistas e propagado em Pernambuco, entre outros, pelo professor da UFPE Rodrigo Jungmann e Raniery Zarchai, figuras declaradamente aliadas do deputado Jair Bolsonaro e do filósofo Olavo de Carvalho.

#solidariedadepalestina
#freepalestina

II Festival Vegano do Recife

Nos dias 10 e 11 de Dezembro, comparecemos na Faculdade Santa Helena, para mais uma edição do Festival Vegano do Recife, levando através de nossas comidas, em conjunto com nossas parcerias e na roda de diálogo que protagonizamos uma proposta de Libertação Animal entendida como luta por emancipação de todo sistema de dominação que oprime animais, sejam eles não humanos e humanos, já que o especismo (dominação dos animais) se estrutura conjuntamente com o patriarcado (dominação das mulheres) e a propriedade privada (dominação da terra) para colonizar territórios e impor a dominação civilizacional. É por isso que acreditamos que o combate antiespecista deve ser interseccional!

Através destas premissas tentamos levar um pouco das nossas vivências por libertação animal, ao 2º Festival Vegano do Recife, como forma de propagar um veganismo comprometido com a autonomia e o protagonismo político, oferecendo uma alimentação vegetariana de perspectiva descolonial e de fortalecimento da rede agroecológica, destruindo as relações de concorrência entre os parceiros, agrupando-se para visibilizar o veganismo nos cosméticos, brinquedos e carteiras.

Ao utilizar um sistema de lavagem ecológica com a intenção de responsabilizar as pessoas pelas tarefas básicas de sua prática alimentícia, visamos combater também a racionalidade higienista responsável por destruir nossos irmãos não humanos e nossa mãe terra com seus químicos, além de nos afastar de nossa condição animal por meio do sanitarismo e da ciência médica. Acreditamos que quando aceitamos a definição limpeza do capitalismo estamos aceitando a dominação econômica sobre nossas vidas.

São com essas palavras que agradecemos a cada pessoa que prestigiou nossas vivências, se abriu pros nossos questionamentos e nos agraciou fortalecendo uma prática de construção de outro mundo possível hoje, no cotidiano, onde a libertação animal que se inspira em práticas ancestrais, consiga trazer pessoas que se afinam e se identificam com nossa proposta não como clientes, mas sim, como nossas PARCEIRAS POLÍTICAS!

Burguers ancestrais e pirataria vegana no Córregos Descoloniais

size_810_16_9_hambuguer3O Hamburguer é um alimento típico da cultura estadunidense, derivado de uma sociedade que cultua a industrialização sem usufrurir de tempo para preparo e consumo das refeições. Símbolo da globalização, carro chefe de várias multinacionais presentes em todo mundo e caracterizado por ingredientes processados, o hamburguer é uma das principais referências da cultura alimentícia capitalista, usado também para afirmar a masculinidade hegemônica, o consumo de animais e o heterossexismo.

image-1e6ipy image-baxupy syg3f3tsq0d7od7qegrn 77cd636d545cdcfe4291b65977c03d11As propagandas de hamburguer dos mais variados fast-foods associam o consumo de carne a um ideal de masculinidade cujos atributos simbólicos são a virilidade, força física, coragem e atitude, reforçando a dominação masculina, que se assenta na ameaça da violência, através de um poderoso arsenal de imagens: homem de verdade (predador e heterossexual) come carne, muita carne!

O cultuado consumo de hamburgueres veio com o poder de penetrar na subjetividade das pessoas para naturalizar o capitalismo, a industrialização, o urbanismo, a exploração animal e a masculinidade heterossexista através da satisfação da necessidade de alimentar-se e do prazer sensorial que isto proporciona, eis a questão!

Acreditamos que a alimentação é um campo estratégico para consolidação de culturas políticas assim, cremos que podemos utilizar a satisfação atingida pela ingestão de alimentos e o prazer gerado pelo ato com filosofias políticas libertárias e anti-hegemônicas, por isso, nunca é demais se apropriar estrategicamente dos marcos da modernidade oportunizando sua fácil aceitação social  para propagar, difundir e experimentar outras práticas de vivências possíveis hoje. É nesta pegada de pirataria e ressignificação que a Dhuzati propõe para o Sarau Descolonial burguers vegetarianos inspirados na ancestralidade, que boicotam o fast-food, elaborados sem exploração do trabalho humano, utilizando ingredientes coletados, reciclados e orgânicos, além de ser protagonizado por dissidentes sexuais.

Para alimentar as vozes rebeldes que ecoarão gritos anticoloniais e fortalecer o impulso das pretas lésbicas responsáveis pelo embalo sonoro da noite, vamos oferecer opções que já trabalhamos no nosso cotidiano em formato burguer, como o acarajé e o falafel dentro de pãezinhos integrais orgânicos acompanhados de salada panc de trapoeraba, ora-pro-nobis e hibiscus, além dos nossos queijos de gergelim, girassol e amendoim! Teremos ainda tapiocas de petisco, para beber, além de cervejas sem milho transgênico, teremos uma incrível bebida cigana e de sobremesa pudim de tapioca, unindo assim através do paladar heranças e inspirações culturais das vítimas do colonialismo.

CARDÁPIO

Canto Iorubá (burguer de acarajé)
feijão macassar hidratado, com amendoim, cebola e alho

Palestina Livre (burguer de falafel)
grão de bico hidratado com cominho, coentro, cebolinho, cebola e pimenta do reino

Pare Belo Monte
tapioca com recheio primavera e queijo de girassol

Kaiowá
tapioca com recheio de jaca e queijo de gergelim

Doces Barbaros
pudim de sagu, leite de coco, açúcar demerara com calda de passas de caju

REFERÊNCIAS
Masculinidade e o consumo de carne, Gerogia Martins
Homem de verdade: apelo a um ideal de masculidade em propagandas de fastfood, Cintia Rodrigues de Oliveira Medeiros e Nicemara Cardoso Silva

SERVIÇO
Córregos Descolonizantes – SARAU
Dhuzati – Casa lilás da Estrada dos Macacos (Rua da Biblioteca da UFRPE)
A partir das 18h

Córregos Descolonizantes, agitação cultural anticolonial na Mata de Dois Irmãos

sam_0250Na Mata de Dois Irmãos, respiramos as dores dos nossos ancestrais. O urbanismo desenfreado, desalojo, devestação, agrotóxicos e o assassinato dos animais silvestres são todos filhos pródigos da colonização! O pulsar dessa Mata, nossas heranças culturais negras, indígenas, ciganas e bruxas estão em cada ebó deixado nas suas entranhas, em cada erva que alcama nossas dores, curando nosso espirito e principalmente em cada mensagem que os ventos nos trazem. Preguiças, macacos, cobras, tejus e jacarés nos inspiram em eterna resistência sobrevivendo aos projetos desenvolvimentistas sempre buscando novas selvas, se recusando a viver sob o império dos asfaltos rurais.

Neste mês que celebra o marco da destruição de Pindorama e das culturas incivilizadas que viviam em terras além mar, a Dhuzati Coletiva Antiespecista Artesanal, o Espaço OVNI e a LAIA, se insurgem para trazer experiências de agitação cultural em combate ao projeto de europeização e modernização do mundo! Música, Poesia, Alimentação e Vídeos como tecnologias sensoriais em busca de outras culturais possíveis hoje, aqui e agora!

corregosfarra28/10 Farra da Descolonização no Espaço OVNI
O espaço da abdução em Dois Irmãos recebe calorosamente as culturas indígenas e negras com proposito de sensibilizar vivências cotidianas urbanas. A Mata do bairro se apresenta como local ideal para reviver as farras dos quilombos e das selvas, expressando através de vídeos, projeções e performances, memórias e lendas presentes no imaginário das vítimas do colonialismo.

cds29/10 – Sarau da Descolonização na Dhuzati
Declamação em tom de revolta, combatividade vocal e monstras incivilizadas vomitando poesias contrárias a normalidade eurocêntrica, alimentadas com burguers piratas, inspirados em receitas ancestrais como acarajé e falafel no pão de gergelim artesanal acompanhado de salada coletada nos matagais de Dois Irmãos para sabotar propositalmente o fastfood. Ingredientes orgânicos, reciclados e coletados ao som de negritudes sexodissidentes contaminando o ambiente com boas doses de melodias rebeldes e musicalidades lésbicas.