A tragédia do Rio Doce

12243456_437034869816925_3027002548329326465_nO rompimento das barragens da Vale em Mariana, munícipio de Minas Gerais é um desastre social e um colapso ambiental. O Rio Doce, o mais importante de Minas Gerais, comunidades ribeirinhas, animais silvestres e domesticados e o povo Krenak são as principais vítimas. Especialistas já declararam que o rio está oficialmente morto, já que nele é possível encontrar a tabela periódica inteira. Uma análise laboratorial encomendada após o desastre encontrou na água um mix de metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio.  A água não tem mais utilidade nenhuma, sendo imprópria para irrigação e consumo animal e esta realidade pode durar no mínimo 100 anos.

Além desses metais pesados, a própria força da lama prejudicou a biodiversidade do rio para sempre – ambientalistas não descartam a possibilidade de que espécies endêmicas inteiras tenham sido soterradas pela lama. A quantidade de lama é tanta (cerca de 20 mil piscinas olímpicas) que o rio teve o seu curso natural bloqueado, fazendo com que perdesse força e formasse lagoas extremamente tóxicas. Além dos minérios de ferro, esgoto, pesticidas e agrotóxicos também estão sendo carregados pelas águas.

No Espirito Santo, foi criada a Operação Arca de Noé para atuar em regiões da bacia hidrográfica do Rio Doce que ainda não foram atingidos pela enxurrada, transferindo os peixes para lagoas de água limpa utilizando caixas, caçambas e lonas plásticas. Os peixes resgatados do leito do Rio Doce em Colatina, no Noroeste do estado, começaram a ser soltos em lagoas da região. A operação Arca de Noé continuou por todo o sábado e perdura até a chegada da lama no Espirito Santo, previsto para terça-feira, 17. Ainda não há o número exato de animais que já foram retirados do rio.

Em Mariana, um galpão foi transformado em abrigo temporário para os animais vivos vítimas da tragédia, lá estão, por hora, 70 cães, 9 gatos, 170 aves e 6 equinos. A veterinária explica que os cães, além de terem sido vermifugados e recebido atendimento veterinário, foram encoleirados com Scalibor para evitar Leishmaniose. Apesar da caótica situação em que se encontram, vários desses tutores, que ainda estão sem condições de resgatar os animais, têm ido ao galpão visitá-los.

O desastre deixou um rastro de mortos, desabrigados e muito sofrimento com o rompimento das barragens de rejeitos da mineradora Samarco no Distrito de Bento Rodrigues. A mineradora é uma empresa controlada pela anglo-australiana BHP Billiton Brasil Ltda. e a brasileira Vale S.A., os rejeitos dessa exploração eram estocados pelas barragens que se romperam. O Ministério Público acusou a empresa de negligência, por já terem sido alertados dos riscos. Ao visitar os locais atingidos pelo rompimento, a presidente Dilma Roussef declarou que a multa preliminar que a Samarco (mineradora responsável pela barragem) deverá pagar por causa dos danos ambientais gira em torno de R$ 250 milhões.

O Povo Krenak possui uma ligação muito forte com o Rio Doce, eles vivem na margem esquerda do rio, no município de Resplendor, região Leste de Minas Gerais. No último sábado, 14, eles fecharam a  ferrovia da Vale em protesto. Em Tumiritinga, também na Região da Vale cerca de 100 manifestantes colocaram fogo em árvores e pneus e também bloquearam a linha férrea. Mesmo inteiramente prejudicados, os Krenak foram notificados com uma decisão judicial para deixarem o local até a próxima terça-feira, 17 e diante dos fatos elaboram um documento com reivindicações e repúdio ao desastre:

 

Saudações Indígenas,
Hoje no dia onze de novembro de dois mil e quinze, a comunidade Krenak se reúne para manifestar os problemas causados pela empresa Samarco/Vale S.A e BHP Biliton em relação ao rompimento da barragem Mariana afetando diretamente ao nosso Rio Sagrado com várias substâncias tóxicas, sendo o rio nossa principal fonte de subsistências além de ser uma entidade sagrada. O povo Krenak mantém uma relação espiritual com o rio e diante de todo o desastre, exigimos que a empresa responsável tome medidas urgentes com relação ao abastecimento de água na nossa aldeia, com reservatório para cada família. Sabemos também que os problemas causados com o rompimento dessa barragem irão permanecer ao longo de muitos anos. Nossos peixes estão todos mortos, nossas caças estão ficando doentes e nossa flora toda destruída e contaminada com os dejetos e tóxicas lançados em nosso RIO DOCE. Diante todo desastre causado pela empresa Vale S.A. e BHP Biliton exigimos que sejam feitos projetos voltados para caça, pesca, planta e tudo que envolve a vida do povo Krenak, uma vez que o Rio Doce está presente em todos os aspectos do nosso povo. Também exigimos indenização por danos morais causados à nossa cultura e religião que temos com nosso UATU (Rio Doce). O abastecimento de água deve ser feito o mais urgente possível, com prazo máximo de vinte e quatro horas a partir da data de entrega deste documento. Caso nossas exigências não seja atendidas teremos que tomar nossas próprias providências com relação a empresa VALE.
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Com informações de:
Anda – http://www.anda.jor.br/
Galileu – http://revistagalileu.globo.com
G1 – http://g1.globo.com/minas-gerais/index.html
Rádio Yande – http://radioyande.comDOAÇÕES:
Doações para o IDDA – Instituto de Defesa dos Direitos dos Animais de Ouro Preto,  AOPA – Associação Ouropretana de Proteção Animal e para a Cruz Vermelha em Minas Gerais são muito necessáriasm, a cada dia, com o decorrer da enxurrada pelo leito do rio doce, mais animais humanos e não humanos estarão em situação de emergência.

Aportando em Belo Horizonte

minasvegDesde o nosso bazar de despedida a Dhuzati se prepara para aportar em Belo Horizonte, com um desafio bem inusitado, adaptar alguns truques e segredos da culinária mineira, uma das melhores do mundo, para incrementa-los na alimentação vegetariana que propomos.

E nosso primeiro feito foi bem positivo, estreamos na calourada de filosofia da UFMG com pizzas veganas com duas opções de massa: branca e verde (feita com couve) nos sabores champignon, palmito, pimenta biquinho, azeitonas e quiabo

Já no carnaval servimos nossas famosas esfihas veganas com novos recheios advindos das inspirações mineiras, como a feminista (repolho roxo, azeitona e pimenta biquinho), mineirice (quiabo acebolado, calabresa e gergelim) além da tradicional cenabrin (cenoura, abobrinha e creme de coco).

Sem dúvidas as Minas Gerais serão um prato cheio para nossas poções recheadas de desejos culinários

Deliciemo-nos