Ocupe Campo-Cidade e a abertura de novos caminhos políticos de resistência

11053047_474650339348618_3847139689857826946_nNo último dia 12 enquanto várias cidades do país estavam imersas em marchas direitistas contra a corrupção, o Movimento Ocupe Estelita em conjunto com o Centro Sábia, MST, Núcleo de Agroecologia e Campesinato da UFRPE e Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife, organizaram o Ocupe Campo-Cidade, evento que marca a prioridade do movimento em focar no questionamento político articulado com lutas de perspectivas populares.

A Dhuzati compareceu no evento com a associação Agroflorestal Terra e Vida, realizando mais uma parceria exitosa propagando fazeres autônomos e possibilidades alimentícias não convencionais de forma artesanal e agroecológica. Também foi neste evento que publicamente apresentamos a Empório das Rosas, que representa o desmembramento de nossa linha de higiene, e agora toma vida própria como cooperativa familiar.

Compondo nossa banca com materiais da Editora Deriva, Dystro Disca e Empório das Rosas nos posicionamos juntas com Mimi Cozinha e Um Lugar, firmando espaço com um grande bloco de produção alimentícia artesanal e autônoma, mostrando a possibilidade de práticas de solidariedade e mutualidade entre coletividades que realizam fazeres similares, não criando espaço para a competição, concorrência e outros valores pregados pela cultura capitalista. Esta experiência foi um sucesso e nos levantou a possibilidade de articular outros fazeres políticos em breve.

O ocupe contou com várias rodas de diálogo, diversas oficinas e espaço para debate com exposição de diversas perspectivas políticas. Ao associar-se com lutas urbanas de cunho de popular e com lutas do campo em perspectiva política combativa, o movimento evidencia um amadurecimento e assume o real foco político em detrimento da preferência à discussão técnica, institucional e legalista. A Dhuzati entende este trânsito como algo extremamente necessário a qualquer tipo de agitação política e crê que resultados e êxitos de cunho emancipatórios só serão possíveis a partir da radicalidade do discurso político fundamentado no protagonismo político e empoderamento social dos setores menos privilegiados na estrutura capitalista.

É com bastante entusiasmo que saudamos este novo ciclo do Movimento Ocupe Estelita, com a certeza de estaremos sempre dispostas e flexíveis a desconstruir os imperativos hegemônicos e institucionais que insistem em se perpetuar nos nossos fazeres políticos e sobretudo a construir a partir de uma relação de apoio mútuo, horizontalidade e organização em rede, novos cenários e possibilidades emancipatórias, autônomas, ecocêntricas e radicais hoje.

“Usando este espaço para priorizar pessoas em situação de vulnerabilidade social, que têm urgência por moradia, pela perspectiva da autonomia e da agroecologia, inevitavelmente abraçaríamos propostas de vivências culturais horizontalizadas e um ambiente de sociabilidade que permitiria a troca de experiências e de conhecimento pelas ações práticas.

Uma realidade onde uma comunidade produz seu próprio alimento e beneficia o excedente; domina práticas de construções ecológicas; produz materiais e tecnologia a partir de iniciativas artesanais; garante às pessoas de fora da comunidade a apropriação dos espaços coletivos para a realização de atividades; organiza cooperativas de consumo fundamentadas na produção interna, estando aberta para produções artesanais externas; baseada num sistema de organização coletiva que garanta a equidade entre os seres, certamente virá acompanhada de inúmeras performances culturais, artísticas, poéticas e cinematográficas para celebrar e exaltar a liberdade vivida e para serem compartilhadas e apreciadas em público.”

Cidades: um conceito vital para o capitalismo – Dhuzati Coletiva Vegetariana Artesanal

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1 ano da Feira Agroecológica Chico Mendes

feira-chico-mendesCom muita alegria que convidamos todas as pessoas a comemorarem conosco o 1º ano da reinauguração da Feira Agroecológica Chico Mendes, iniciativa do Assentamento Chico Mendes, da Associação Terra e Vida e do NAC – Núcleo de Agroecologia e Campesinato da UFRPE.

Boa parte de nossos ingredientes são plantados no Assentamento Chico Mendes e no Sítio Sete Estrelas que compõe a Terra e Vida e pra comemorar este feito tão especial nos juntamos para realizar uma demonstração culinária de alimentos não convencionais, mas muito nutritivos e saborosos.

O Sítio Sete Estrelas irá ensinar como preparar a deliciosa carne de jaca que eles colocam em nos seus maravilhosos sanduíches e nós da Dhuzati iremos mostrar como preparar o mangará, conhecido também como coração ou umbigo da banana.

As comemorações irão ser iniciadas as 6hrs, e ainda contarão com degustação de pães, hortaliças, pastas, além da simpatia e atenção de Amadeu, Cristina, Eliana, Estrela, Isabel e Jacó, pessoas comprometidas com a preservação e bem estar da terra.

Confiram a página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1567649860178501/

Relato sobre o 1º Mutirão e Oficina de Bioconstrução

DSCF4457Nosso primeiro mutirão nos trouxe muito aprendizado e uma reflexão sobre a importância da propagação de uma ética política menos desigual em locais onde as reproduções da cultura hegemônica se reverberam em alto e bom som.

Nossa programação ficou um pouco alterada devido a problemas ao acesso do acampamento. Tinha chovido e não estávamos em um transporte que desse conta do lamacero que encontramos. Tivemos que descer faltando ainda 4km para o acampamento para continuar o percurso a pé.

A experiência de comer milho e macaxeira recém tirados do pé trouxe duas constatações: o milho que vira pipoca assando na brasa é docinho e a macaxeira é tão cremosa que parece uma manteiga.

Realizamos uma reunião de avaliação da atividade e alguns problemas apareceram. Aqui colocamos algumas premissas que se fazem necessárias, na tentativa de deixarmos mais claros nossos objetivos e outros pontos que consideramos pertinentes.

1) A atividade compreende a construção de uma simples casa de taipa, que será destinada a uma das pessoas do Acampamento Araújo do MST. Existem outras casas de taipa no local, construídas por pessoas que dominam esta técnica desde criança. Nossa ideia e nos apropriar deste conhecimento e propagar sua potência como forma mais coerente e ecológica de construção e desmistificar o estigma cultural dado pela racionalidade científica e industrial à estas construções, por estarem associadas a miséria, ignorância, atraso e incivilidade.

2) Nosso objetivo em estar neste espaço consiste em assimilar a partir da prática, as técnicas de bioconstrução e vivencia-las norteadas por uma ética solidária e organização anti-hierárquica, visualizando a emergência de espaços, ambientes e sociabilidades anticapitalistas. A Dhuzati pretende construir neste espaço um laboratório de experimentação tecnológica, agrícola e alimentar de cunho artesanal, agroecológico e anti-especista.

3) Nossa organização prevê um grupo onde as pessoas tenham impulso e protagonismo político para colocar suas questões mais pertinentes. Não gostamos da ideia de liderança e não nos vemos guiados por pastores. Pensamos num tipo de organização que sempre esteja aberta para a exposição de problemas e rearranjos durante o percurso das atividades.

Depois de avaliarmos algumas circunstâncias que apareceram durante a atividade, concluímos que os próximos mutirões deverão ser realizados com pessoas mais próximas e que compartilhem de uma visão sobre bioconstrução e permacultura numa perspectiva mais libertária.

Segue as fotos deste 1º encontro:
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UFRPE sedia Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária em Pernambuco

jornada universitariaA partir desta quarta, 23, terá inicio na UFRPE a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária. O evento é um novo marco nas mobilizações contra os latifúndios e em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados no dia 17 de abril de 1996, no Pará.

Dados do último Censo Agropecuário de 2006 demonstram que grande parte da área total ocupada pelos estabelecimentos agropecuários, se concentra nas mãos do agronegócio (75,7%) e apenas 23,4% está ocupada com a agricultura familiar.

Durante todo mês de abril, cerca de 50 universidades do país sediaram o evento que contou com atividades acadêmicas, políticas e culturais em apoio à luta dos movimentos sociais do campo. Para os setores do MST, a Jornada tem como objetivo ocupar o espaço acadêmico e fazer com que os muros da universidade se voltem mais para as demandas socialmente referenciadas, necessárias para a população, para o crescimento do país, que legitimem o sentimento de justiça, de encaminhamentos mais voltados à população, não só para os setores dominantes”.

Na UFRPE o evento inicia marcando presença na Feira Agroecológica Chico Mendes, em apoio à resistência dos agricultores vítimas das perseguições e ameaças higienistas da Prefeitura do Recife.

Confira abaixo a programação completa da Jornada:

QUARTA 23/04

8HRS

Celebrando a vida na feira agroecológica Chico Mendes

Praça Faria Neves no bairro de Dois Irmãos

TODO O DIA

Exposição Fotográfica – Luta pela terra em Pernambuco

ADUFERPE

QUINTA 24/04

8 ÀS 11:30H

Reforma Agrária em Pernambuco

Jaime Amorim – MST

Placido Júnior – CPT

Valquíria Severina dos Santos – MMTR/NE

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

14 ÀS 16H

Educação na Reforma Agrária

Rubneuza Leandro – Setor de Educação do MST

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

18:30 ÀS 21H

Juventude Rural na Reforma Agrária

Paulo Mansan – PJR

Adriana Nascimento – FETAPE

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

TODO O DIA

Exposição Fotográfica – Luta pela terra em Pernambuco

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

 A organização da Jornada na UFRPE conta com o apoio do NAC – Núcleo de Agroecologia e Campesinato, Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas e com o Departamento de Educação