O trágico fim do coronel que era ambicioso demais

Eduardo Campos morreu de forma tão trágica e inesperada que nem a obra mais sádica contra sua pessoa conseguiu reproduzi-la em tempo hábil – ele já andou ‘morrendo’ em um curta-metragem e também ‘ameaçado a mão armada’ em uma obra de arte – só para começar.

A revista britânica ‘The Economist’ o classificou como uma “versão moderna de coronel”. “gerente moderno que ao mesmo tempo é um chefe político antiquado”, chamado pela revista de “ambicioso”.

Foi com o discurso de “gerente” baseado em infraestrutura, educação e investimento privado que o permitiu se reeleger em 2010, e que seu partido se saísse bem nas eleições municipais de 2012. Ele (Campos) na época era aliado da presidente Dilma.

De lá pra cá decidiu então que seria presidente do Brasil, e inventou uma tal de “nova política” que ninguém entedia direito o que era, alguma coisa misturada com Jarbas Vasconcelos nepotismo e hipocrisia, mas que ele acreditava serem bons valores.

Para nós aqui pobres mortais sobreviventes do gás lacrimogênio, dos desalojos, das políticas desenvolvimentistas, só nos resta a perplexidade de observar como a vida é frágil, seja qual for sua posição social, seja qual for sua ambição de vida, a morte nos deixa todos iguais.

Adeus!

Fonte: Mídia Ninja PE (com alterações)

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Relato sobre o 1º Mutirão e Oficina de Bioconstrução

DSCF4457Nosso primeiro mutirão nos trouxe muito aprendizado e uma reflexão sobre a importância da propagação de uma ética política menos desigual em locais onde as reproduções da cultura hegemônica se reverberam em alto e bom som.

Nossa programação ficou um pouco alterada devido a problemas ao acesso do acampamento. Tinha chovido e não estávamos em um transporte que desse conta do lamacero que encontramos. Tivemos que descer faltando ainda 4km para o acampamento para continuar o percurso a pé.

A experiência de comer milho e macaxeira recém tirados do pé trouxe duas constatações: o milho que vira pipoca assando na brasa é docinho e a macaxeira é tão cremosa que parece uma manteiga.

Realizamos uma reunião de avaliação da atividade e alguns problemas apareceram. Aqui colocamos algumas premissas que se fazem necessárias, na tentativa de deixarmos mais claros nossos objetivos e outros pontos que consideramos pertinentes.

1) A atividade compreende a construção de uma simples casa de taipa, que será destinada a uma das pessoas do Acampamento Araújo do MST. Existem outras casas de taipa no local, construídas por pessoas que dominam esta técnica desde criança. Nossa ideia e nos apropriar deste conhecimento e propagar sua potência como forma mais coerente e ecológica de construção e desmistificar o estigma cultural dado pela racionalidade científica e industrial à estas construções, por estarem associadas a miséria, ignorância, atraso e incivilidade.

2) Nosso objetivo em estar neste espaço consiste em assimilar a partir da prática, as técnicas de bioconstrução e vivencia-las norteadas por uma ética solidária e organização anti-hierárquica, visualizando a emergência de espaços, ambientes e sociabilidades anticapitalistas. A Dhuzati pretende construir neste espaço um laboratório de experimentação tecnológica, agrícola e alimentar de cunho artesanal, agroecológico e anti-especista.

3) Nossa organização prevê um grupo onde as pessoas tenham impulso e protagonismo político para colocar suas questões mais pertinentes. Não gostamos da ideia de liderança e não nos vemos guiados por pastores. Pensamos num tipo de organização que sempre esteja aberta para a exposição de problemas e rearranjos durante o percurso das atividades.

Depois de avaliarmos algumas circunstâncias que apareceram durante a atividade, concluímos que os próximos mutirões deverão ser realizados com pessoas mais próximas e que compartilhem de uma visão sobre bioconstrução e permacultura numa perspectiva mais libertária.

Segue as fotos deste 1º encontro:
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Reflexões do jornalista Rodrigo Almeida sobre a atividade realizada pela Dhuzati no #OcupeEstelita

Nesta quarta, realizamos uma roda de diálogo no #ocupeestelita que objetivava comparar a lógica política dos conjuntos habitacionais com as dos campos de concentração para pensar ocupação territorial a partir da autonomia e da soberania alimentar.

Ao ter contato com as impressões do jornalista Rodrigo Almeida sobre as violências implicadas nos processos de ocupação das cidades, resolvemos compartilha-las para ampliar e prolongar mais um pouco o debate

“durante as atividades noturnas do #ocupeestelita, ontem, foram exibidas algumas entrevistas com pessoas transferidas / removidas de diferentes lugares da cidade, especialmente das palafitas de brasília teimosa e da vila vintém, alocadas num conjunto residencial no bairro do cordeiro. a sonhada promessa de “agora você vai ter uma casa!”, no entanto, foi revelando sua faceta hostil: a falta de emprego se tornou generalizada pela distância “do sustento que tiravam do mar” ou “do que sabiam fazer antes”; o conjunto virou o bode expiatório de todos os problemas, de dengue a assaltos, ocorridos na vizinhança burguesa; o cotidiano passou a ser marcado pela convivência diária com uma repressão policial ostensiva, espancamentos, mortes, arquitetando, atrás daquelas paredes úmidas, a impossibilidade de voz e escuta. os moradores sabiam de uma coisa: eles não eram dali.

Nordeste do Brasil, Dezembro de 2009. Northeast of Brazil, December 2009.A realizadora do vídeo e também moradora parte desse processo, comentou sobre o período de mudança e supostas aprovações entre os lados envolvidos, ressaltando a falta de disponibilidade de diálogo com a parceria entre prefeitura, odebrecht e banco do brasil. Os problemas também eram estruturais, parte da rede de esgoto tinha vazado e contaminado a rede de água de alguns apartamentos, os condomínios foram pensados – sem a concordância da comunidade – com pouco espaço de lazer e um amplo e exagerado estacionamento, onde praticamente não existiam carros entre os residentes, espaço que terminou sendo ocupado pouco a pouco com barracos ou pequenas lojas. os entrevistados foram enfáticos em dizer que, apesar de tudo, suas vidas tinham piorado. “aqui não é o lugar para criar os meus filhos”.

essa história me lembrou quando, há uns três anos, visitei a comunidade quilombola ‘negros do osso’, na zona rural de pesqueira, requisitado basicamente para passar três dias conversando com as pessoas e descobrir possíveis personagens para um documentário. a comunidade estava passando por uma grande transformação: o banco do brasil tinha começado a construção de casas de alvenaria no lugar das antigas casas de taipa, iniciativa que a princípio parecia maravilhosa, incontestável, a realização do sonho de “agora vamos ter uma casa”. como não sabia o caminho, encontrei o arquiteto do projeto para irmos juntos e confesso que fiquei cabreiro com o rapaz desde o primeiro contato, pois ele, com bastante pressa, soltou “vamo logo que não quero passar mais de cinco minutos lá”. alguma coisa estava estranha nessa história.

d34d54646a9a808a34d6e9323784b72d1367454795enfim, seguimos e chegamos na comunidade. o profissional convocou alguns moradores para fazer uma visita rápida em duas ou três casas quase prontas, desenvolvendo um discurso bizarro onde ele se colocava como protagonista do processo, quase pedindo uma veneração das pessoas “por ter construído suas casas” (vale dizer que os próprios moradores estavam no papel de pedreiros sob as ordens de um mestre de obras). daí chegamos na cozinha, ele começou a explicar que abriu um vão lá no alto pra ventilar a geladeira… oh, wait… ele, então, parou, olhou por um segundo – e talvez pela primeira vez – para os presentes e perguntou: “vocês têm geladeira aqui?”. os moradores balançaram a cabeça negativamente, ele constrangido acelerou o passo da visita, pegou seu carro e foi embora. depois soube que o rapaz nunca tinha se prestado a conversar com as pessoas que iriam morar nas casas que ele tinha projetado. o vão da geladeira era apenas um detalhe.

depois dessa rede de histórias e lembranças, fiquei matutando antes de dormir que essa situação se repete em todos os lugares: vivemos uma cidade projetada por pessoas que não vivem a cidade ou que pensam a rotina da cidade como meu-condomínio-de-luxo-trabalho-shopping; lidamos com um transporte público desenvolvido por quem não usufrui desse transporte, anda-só-de-carro-e-quer-mais-vias; todos os tais grandes projetos para melhorar a vida da cidade e das pessoas surgem sem que justamente essas pessoas e essa cidade façam parte do processo. a verticalização não está apenas nas plantas, nos edifícios, assombrando a paisagem, mas na forma como as coisas são encaminhadas, decididas, assinadas, implementadas. acredito que o #ocupeestelita além de pontualmente contra a construção do novo recife, surge como uma espécie de levante contra uma lógica muito maior, impulsionando para o núcleo do “pensar a cidade” o antes revogado protagonismo de todos nós, cidadãos.

isso, meus queridos, costuma assustar.”

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Jornalista argentino documenta assentamento agroecológico na Zona da Mata pernambucana

Na semana da Jornada Universitária Pela Reforma Agrária, trazemos o relato de um Jornalista argentino que visita um sítio localizado próximo ao Recife e descreve com belas palavras e imagens o dia-dia de trabalhadores rurais comprometidos com a agroecologia.

“Assim é mais ou menos um dia no Sítio Agatha, localizado a cerca de 50 km de Recife. Este sítio faz parte do assentamento Chico Mendes, área mantida por camponeses e camponesas guerreiras e conquistadas com muita luta a pelo menos oito anos.

Em 1997, um grupo de 350 famílias decidiram ocupar a terra que compreendia o Complexo Prado, pertencente ao grupo João Santos, dono de uma grande quantidade de engenhos de cana de açúcar, que mantia as terras da região improdutivas.” img_0569img_0483img_0492Confira o texto e todas as imagens em: Latinoamérica Unida Por Las Rádios
Documentário sobre o desalojo de trabalhadores rurais no Engenho Prado em novembro de 2003: https://www.youtube.com/watch?v=yltZ1W4sOVk

UFRPE sedia Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária em Pernambuco

jornada universitariaA partir desta quarta, 23, terá inicio na UFRPE a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária. O evento é um novo marco nas mobilizações contra os latifúndios e em memória ao Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados no dia 17 de abril de 1996, no Pará.

Dados do último Censo Agropecuário de 2006 demonstram que grande parte da área total ocupada pelos estabelecimentos agropecuários, se concentra nas mãos do agronegócio (75,7%) e apenas 23,4% está ocupada com a agricultura familiar.

Durante todo mês de abril, cerca de 50 universidades do país sediaram o evento que contou com atividades acadêmicas, políticas e culturais em apoio à luta dos movimentos sociais do campo. Para os setores do MST, a Jornada tem como objetivo ocupar o espaço acadêmico e fazer com que os muros da universidade se voltem mais para as demandas socialmente referenciadas, necessárias para a população, para o crescimento do país, que legitimem o sentimento de justiça, de encaminhamentos mais voltados à população, não só para os setores dominantes”.

Na UFRPE o evento inicia marcando presença na Feira Agroecológica Chico Mendes, em apoio à resistência dos agricultores vítimas das perseguições e ameaças higienistas da Prefeitura do Recife.

Confira abaixo a programação completa da Jornada:

QUARTA 23/04

8HRS

Celebrando a vida na feira agroecológica Chico Mendes

Praça Faria Neves no bairro de Dois Irmãos

TODO O DIA

Exposição Fotográfica – Luta pela terra em Pernambuco

ADUFERPE

QUINTA 24/04

8 ÀS 11:30H

Reforma Agrária em Pernambuco

Jaime Amorim – MST

Placido Júnior – CPT

Valquíria Severina dos Santos – MMTR/NE

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

14 ÀS 16H

Educação na Reforma Agrária

Rubneuza Leandro – Setor de Educação do MST

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

18:30 ÀS 21H

Juventude Rural na Reforma Agrária

Paulo Mansan – PJR

Adriana Nascimento – FETAPE

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

TODO O DIA

Exposição Fotográfica – Luta pela terra em Pernambuco

Sala de Seminário CEGOE/UFRPE

 A organização da Jornada na UFRPE conta com o apoio do NAC – Núcleo de Agroecologia e Campesinato, Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas e com o Departamento de Educação